
Quem olhasse de fora diria que ela gostava de um homem que a domasse, que cuidasse dela. Apesar da independência que gostava de exibir para o mundo, nos braços dele, ela era frágil.
Afinal, ele era moreno, alto, forte, elegante, bem sucedido, com seu carro importado e carteira de couro. Ela era uma jovem de vinte e poucos anos formando-se em contabilidade no próximo semestre, com cabelos curtos e sandália sem salto.
Quase nunca se cruzavam pelos corredores do prédio empresarial que trabalhavam, e se isso ocasionalmente acontecesse, ela ajeitava o cabelo e baixava a cabeça, ele a devorava com os olhos.
O que ninguém via e sabia é que, após colocarem a mesa do jantar e a comida no forno, sentavam-se no tapete da sala e ele caía exasto e sincero em seus braços.

Não era a força e o cuidado que a atraíam. O que ele tinha de magnético para ela era a sua fraqueza. A beleza daquele daquela armadura de prata despencando somente para ela. Era a dependência emocional DELE por ela que a mantinha rendida.
O fim nao foi pela falta de carinho, de cuidado, como espalhou o vento. O fim veio da falta de valorização. Aquela distância representava a falsidade daquela prata, a falta de carinho era o grito de independência porque reprentava o descaso, a idéia de que o amor dela não precisava ser cultivado, podia morrer.

Ela não chorou porque ele não a amava, ela chorou porque ele não precisava dela. Era tudo mentira!
O que ela não sabia era que o que é o amor e o problema foi que ela o amava...o ama.
2 comentários:
Inspirada!
Adorei este conto, deu até uma vontade de estar amando... rsrs
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