Usei meu melhor vestido para que você me notasse. Escolhi delicadamente as cores que combinassem com meus acessórios, aqueles que comprei pensando em Chanel.
Venci meu desgosto por pulseiras e escolhi um salto alto que tentasse ser confortável. Ah, meu cabelo, estava impecável como nunca antes estivera.
Saí sorrindo e rebolando, parecia uma adolescente descobrindo a própria sensualidade ou uma dessas moças que passam o dia com espelhos.
Então você me olhou e sorriu de longe, cumprimentou-me como se tivesse me visto há poucos minutos atrás e saiu por aí, alimentando meus medos, minha imaginação e meus sentidos.
Sentou-se ao meu lado uma hora mais tarde, ainda disperso, diminuindo o valor do meu vestido, das minhas curvas e da minha pintura. Esta que antes tinha teu nome, agora chamava-se sorriso.
Passaram alguns dias e você me ligou no meio da tarde de sábado avisando-me que todos iam assistir o jogo do Brasil na sua casa e perguntando se eu não queria ir.
Antes mesmo que eu pudesse responder, você parou o carro em frente a minha casa e disse para eu sair.
Saí e entrei no carro com um short xadrez, uma blusa regata e o cabelo livre, livre de mim e de qualquer preceito e preconceito.
Passamos a tarde juntos, sem palavras, sem charme, sem pinturas.
Então no final do dia, você olhou para mim e disse: acho que nunca te vi tão bonita.
E eu sorri cheia de segredos... entre teus beijos...
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Humanidade
A incapacidade de amar nos torna menos humanos?
Amar nos torna mais humanos?
O que é ser humano?
É ser capaz de sentir o corpo explodir com um olhar?
É ser diferente?
É ser igual?
Já não sei o que é o amor e o que é ser humano.
Já não sei o que é acordar sendo eu mesma, porque agora já me desconheço demais para ser alguém.
Parece que a cada instante sou alguém diferente.
No instante anterior, eu era liberdade.
Agora, eu sou saudade.
Amar nos torna mais humanos?
O que é ser humano?
É ser capaz de sentir o corpo explodir com um olhar?
É ser diferente?
É ser igual?
Já não sei o que é o amor e o que é ser humano.
Já não sei o que é acordar sendo eu mesma, porque agora já me desconheço demais para ser alguém.
Parece que a cada instante sou alguém diferente.
No instante anterior, eu era liberdade.
Agora, eu sou saudade.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Contrato
Abra-me, pois estou fechada.
Liberte-me deste lacre invisível
de palavras, sonhos, medos e pesadelos.
Mostre-me quem sou, quem fui, quem serei.
Deixe-me solta, porém, pois meu andar é manco
Mas é o peso do outro que me desequilibra.
Abra-me os olhos quando eu for cair,
mas me deixe de olhos cerrados se for necessário sorrir.
E se eu precisar de mentiras para dormir,
Conte-as por uma noite ou duas
Para que me seja permitido sonhar.
Mas não me deixe na ignorância
Até as farpas da realidade me cortarem.
Escuta-me de ouvidos fechados
Quando meus gritos vierem com lágrimas
E me abraça forte quando se cessarem os desabafos.
Quando não mais me aguentares
Parta, mas se despeça.
Avise-me da partida para que eu te segure a mão,
Para que eu te olhe com olhos do passado
Pela última vez que me for permitido.
E sorrirei como a menina que não sei ser
Para que ambos sejamos livres, eu e você
Dessas nossas formas tortas de viver.
E ficarei sem laços, abraços, olhos e ouvidos
Para mistérios que nos incluam.
E permanecerei fechada, lacrada, pintada e esculpida.
Para que nossos segredos não me escapem
Para que o mundo não corrompa o que fomos
Enquanto corrompe o que somos.
Liberte-me deste lacre invisível
de palavras, sonhos, medos e pesadelos.
Mostre-me quem sou, quem fui, quem serei.
Deixe-me solta, porém, pois meu andar é manco
Mas é o peso do outro que me desequilibra.
Abra-me os olhos quando eu for cair,
mas me deixe de olhos cerrados se for necessário sorrir.
E se eu precisar de mentiras para dormir,
Conte-as por uma noite ou duas
Para que me seja permitido sonhar.
Mas não me deixe na ignorância
Até as farpas da realidade me cortarem.
Escuta-me de ouvidos fechados
Quando meus gritos vierem com lágrimas
E me abraça forte quando se cessarem os desabafos.
Quando não mais me aguentares
Parta, mas se despeça.
Avise-me da partida para que eu te segure a mão,
Para que eu te olhe com olhos do passado
Pela última vez que me for permitido.
E sorrirei como a menina que não sei ser
Para que ambos sejamos livres, eu e você
Dessas nossas formas tortas de viver.
E ficarei sem laços, abraços, olhos e ouvidos
Para mistérios que nos incluam.
E permanecerei fechada, lacrada, pintada e esculpida.
Para que nossos segredos não me escapem
Para que o mundo não corrompa o que fomos
Enquanto corrompe o que somos.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Momento Revolto
Por que as pessoas precisam tanto de auto-afirmação? (me incluindo, já que sou pessoa)
Os sós acham que são melhores, os acompanhados também, resultado, ninguém é melhor que ninguém.
Os ateus acham que são melhores, os crentes também, resultado, ninguém é melhor que ninguém.
Os homens acham que são melhores, as mulheres também, resultado, ninguém é melhor que ninguém.
Os cultos acham que são melhores, os não-cultos acham os cultos engraçados. Resultado? Precisa mesmo dizer? Ninguém é melhor que ninguém.
As crianças acham que ser adulto é melhor, os adultos, acham que ser criança é melhor. Resultado, ninguém é melhor que ninguém.
E ficam todos nessa eterna briguinha de auto-afirmação e aqueles que fingem fugir dela dizem. "Ah, eu sou tal coisa porque é melhor pra mim, não porque quero ser melhor que alguém".
Ótimo, seja em silêncio. A sociedade agradece.
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