domingo, 8 de novembro de 2020

Morfeu

É cada vez mais estranho sonhar com você.

Não somente porque você mal parece você quanto mais o tempo passa, quanto pela distância de tudo o que fomos.

Seu corpo magro, nos sonhos fica altivo, forte, com uma presença impossível de ser notada. Seu olhar quase vazio não existe nos meus sonhos porque me pertence sempre. Teu olhar e tua respiração são minhas. Sua respiração é toda para os meus ouvidos e para minha libido.

De tudo, porém, o que mais diverge é sua personalidade. tão mais próxima do que eu gostaria de ver em você do que o que realmente é.

A única coisa que pesa em mim a vontade de que não mude é o teu toque. Será ele tão poderoso quanto o era há uma década?

Decepção

Sempre tive dificuldades de lidar com a decepção, de enquadrá-la em algum sentimento ou caracterizá-la ela própria como um sentimento.
Afinal, seria a decepção, além um algo normal na vida, uma sensação específica? Ou ela é como o aço, uma liga, uma mistura de sensações tão entremeadas que é impossível a olho nu não considerar como se fosse um elemento independente?
Parece-me, pois, que esta é a descrição mais fidedigna da decepção, havendo nela raiva, tristeza, nostalgia, ingenuidade, culpa e o que mais couber a situação.