sexta-feira, 18 de setembro de 2009

8 de Março

Elas estão caminhando,
Carregavam nos seios
O que fazem de lenha.

Elas estão gritando
Para sair da terra do silêncio
E não servirem mais a surdos.

Elas estão sendo ouvidas
Por lobos atrás de ovelhas.
Empurradas por um rio de sangue e solidão.

Elas estão chorando
Pelas chamas que não causaram
E que as consome e as calam.

Elas estão mudando.
Lá vai a ovelha convidar
o cordeiro para dançar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ex-Rosa-Desfolhada

Andava pelos bosques
Uma dama de cabelos vermelhos
Com lento caminhar.
O vento chamava suas pernas,
A sandália latina escondia
a fragilidade de seu calcanhar.
O umbigo despido
zombava de todo e qualquer olhar.
Os seios se diziam seus
e se ofereciam sem inocência
dentro de sua torre de marfim,
cobertos com seda preta.
O anel de aço anunciava
a sede de sangue
e a dureza de seu coração.
A língua afiada cortava
Todo o romantismo que lhe esbarrava.

Agora anda por aqui,
Uma dama de cabelos castanhos
Com lento caminhar.
O vento clama suas pernas,
os pés cobertos a levam a um só lugar.
O umbigo já não tem tempo de zombar,
e a pele branca conhece todas as cores.
O anel de prata reluz
um característico brilho no olhar.
E aquela amante exótica
tornou-se um admirável clichê,
e o romantismo agora tem novo lar.