Eu cresci entre os contos de fadas, fossem eles impressos ou animados.
Eu sempre tive o príncipe que me tirava do castelo da solidão, mas ele não era necessariamente uma pessoa, eram somente os meus contos de fadas.
Criei o hábito de procurar nas linhas da vida, os traços da ficção, sempre tendo em mente que o segundo foi inspirado no primeiro, não o contrário.
Mas por algum motivo, alguma peça do destino, ou do Saci, quem sabe? Deixei que alguns conceitos viesse do irreal, entre eles, o próprio conceito de amor e amar.
A vida ensinou-me coisas que os contos de fadas não contam e que, algumas vezes, vão de encontro a eles. Como que algumas pessoas tem a capacidade de gostar de mais de uma pessoa ao mesmo tempo, ou que casais brigam, ou que nem sempre quando amamos alguém, somos amados de volta, ou que o primeiro beijo não tem trilha sonora e que, às vezes, somos a bruxa má da história de alguém, mesmo que não seja de propósito.
Da vida, tirei a lição que "beber até a última gota de café" não é errado, mas é necessário que estejamos preparados para o amargo e gelado café que virá.
É claro que descobrir aquelas semelhanças da vida com os contos de fadas sempre colorem o dia. Imagine acordar com o café da manhã na cama, ou ser "sequestrado" para um belo lugar, ou descobrir que a pessoa amada trocou uma festa ou uma aventura para passar alguns minutos ao seu lado, mesmo que fazendo uma coisa chata. Imagine olhar nos olhos de alguém e descobrir que só em estar com aquela pessoa, aquela tarde já se tornou especial. Ou vestir uma roupa e ela tornar-se mais bela que o vestido da cinderela só porque a pessoa amada a elogiou. Existe magia e encantamento porque existe paixão. Essa é minha opinião.
Entretanto, depois de tantas lições, queremos férias. Na vida, não há. Não adianta bater o pé no chão.
Acho que de todas as descobertas que fiz das contradições entre os contos de fadas e da vida, a mais dolorosa não foi o amor não correspondido, mas exatamente o contrário, aquele que Shakespeare anunciou. Acho que o mais nos faz sofrer é o amor que não é recíproco da forma que queremos. É um gostar desengoçado, como uma roupa linda que não nos veste, não nos cabe. Por que você não pode se desiludir acreditando que a pessoa não te ama, pronto. E nem pode viver esse amor, porque não lhe parece completo.
Outra dor que é ainda mais lição do que vivência, é do mesmo texto: Não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam.
Acho que isso é o que dói mais num amor não correspondido, mas não tenho certeza. A verdade, é que sou péssima em sentir as coisas. A verdade, é que são tantas lições que ando fugindo das revisões.