terça-feira, 12 de outubro de 2021
Suspiros
Ah! O coração! O músculo de movimento involuntário com tão pouca autonomia a quem é atribuída tamanha simbologia
Velhos amigos, mas nem tanto
As mesas espaçadas e as luzes incandescentes, coloridas, enfeitando o ambiente como se fosse festa junina. Ao ar livre, cercados por árvores e gramas e casais e aquele amor idealizado. Entre eles, o meu. Sentada ao lado da pessoa que eu escolhi e que me escolheu. Não nos olhamos nos olhos mas nos tocamos frequentemente. Perna encostada na perna, mãos que se acariciam furtivamente.
Então, entre meus devaneios sempre frequentes, quando meu olhar atravessou a multidão quase que por acidente, encontrei teu sorriso direcionado aos teus filhos. E o sorriso dela sempre livre entre as bochechas carnudas.
Você estava feliz e sua felicidade me alegrava e me doía. Doeu pensar que poderia ter sido nós dois. Mas será que poderia? Será que essa roupa me vestiria? Não me parece servir. Parece aquela sensação de quando você assiste um filme de ficção e pensa, "minha vida poderia ser assim", mas no fundo você sabe que não poderia porque precisaria que você fosse outra pessoa, no caso, eu precisaria ser outra pessoa.
Foi bom ver seu rosto, tão perto, tão longe e tão real. E antes que qualquer outro pensamento se formasse, eu acordei. Despertei com o corpo dolorido e a bexiga cheia. Fora um sonho. Tudo fora um sonho. Sonhar com você depois de tanto tempo pareceu estranho, nostálgico e tão significativo.
Foi bom ver seu rosto, porque pareceu, mais do que nunca, que pude ver algo dentro de mim.
segunda-feira, 5 de julho de 2021
A raiva e o equilíbrio
domingo, 6 de junho de 2021
Angústia
domingo, 31 de janeiro de 2021
Carta à histeria
Acordei naqueles dias em que você não quer ter 'papas na língua'. Mas eu tenho, eu sempre tenho. Sempre jogo dentro de um fosso no meio do peito metade, ou mais, dos desaforos que gostaria de dizer.
A verdade é que eu nunca soube dizer adeus. Todas as pessoas que escreviam comigo na adolescência já não alimentam os mesmos blogs. Cá estou eu com o mesmo e não tenho sequer vontade de ter outro. Não é que eu continue me reconhecendo enquanto individuo em cada uma dessas palavras já jogadas na tela, mas reconheço que o que sou é resultado do que fui e gosto de olhar para o passado para refletir sobre o presente.
E hoje, diante da sua ou da minha histeria, me canso. Canso ao ver que hoje repete o comportamento que apresentou quando nos distanciamos há alguns anos. Uma pena porque estava sentindo uma forte conexão entre nós de novo, mas não era uma sintonia. Você queria uma dinâmica e eu estava feliz com outra dinâmica. E, como sempre, me alimenta a sensação de que não era outra dinâmica que você queria, mas outro um outro eu. Passa pela minha mente um pensamento de que é isso, você está sempre esperando que os outros sejam mais o que você espera que eles sejam e menos o que eles são. Sempre desrespeitando quem eles querem ser.
Amizade sempre foi um ponto tão sensível para mim e agora a única coisa que me ressoa na cabeça é: "precisa mesmo ser um esforço?". Uma frase tão simples dita por alguém que nem se tem vínculo de amizade.
Eu tenho tanto carinho por pessoas que não sinto que me cobrem ser outra pessoa. Será mesmo que vale a pena gastar tanta energia em alguém que não te aceita como você é?