sábado, 30 de janeiro de 2010

Para o amor...

Para o amor, o presente do indicativo
Primeiro amor?
O amor é uno.
Eterno e inconstante
Disposto a metamorfoses
Há primeira paixão
Primeira decepção
Primeiro não.
Não há primeiro amor.
O amor não tem ordem
Não tem lei
Não tem rei.
O primeiro amor que tanto amei...
Lenda de trovador
Lenda de poeta exposto a dor
Lenda de sábio escritor
Lenda de um bom pastor.
E assim vou lendo e relendo
As páginas da vida
Ele muda, de fase em fase
Coloca crases
Acentos e pontos de interrogação
Crava em meu peito a exclamação.
Ah! Primeiro amor, aquele que primeiro marcou...
Sim, este é o que chamo primeiro amor...
Pois primeiro classifica
O amor não está sujeito a classificações...
Ele só é parceiro das paixões
Amigo das ilusões
Réu das decepções...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A Preguiça e a Cena Final

A beata afastou-se rapidamente do pecador e cobriu os ombros com as mãos, sentou-se no chão cansada e baixou a cabeça.

Preguiça: Quem nunca teve preguiça? A tecnologia se desenvolve em dois conceitos, as guerras e a preguiça, o mais prático, o mais rápido. Quem não gosta mais de uma televisão com controle remoto? Vocês acham que somente a gula é responsável pelo crescimento assustador do número de obesos? Se a resposta for sim, devo dizer-lhes, é muita preguiça de pensar.

A Beata e o Pecador olham pra preguiça deitada no fundo do salão.

Beata: Sempre esteves aí?

Preguiça: Você acha que eu ia ficar entrando e saindo da sala? Aproveitei para tirar um cochilo. Por mim, nem tínhamos essa frescurada toda. Pra mim é óbvio que o mundo não escolhe mais um pecado, ele gosta é de coquetéis. Mas se querem saber o que fiz este século, eu vos pergunto, o que o homem fez este século? Ele começou ativo, começou com guerras, começou enfrentando o mundo, a tirania, a exploração. O que o homem faz hoje em dia? Ele não faz nada, ele aceita trocos errados, ele aceita salários inferiores, ele aceita a opressão seja do cônjuge, ou do amigo, ou do patrão , ele tenta chegar atrasado e sair mais cedo das suas obrigações. Ele tem engordado, tem comido as comidas mais rápidas e fáceis de preparar. Ele tem mantido relacionamentos por comodismo. Muitos médicos já não examinam seus pacientes, engenheiros assinam projetos que outros fizeram, professores faltam aulas ou dão matérias resumidas, cientistas tiram conclusões antes do tempo, advogados não vou nem falar... Mas os campões da preguiça são os estudantes. Não fazem mais esportes, não lêem, só assistem televisão, usam o computador ou jogam video game. Não fazem os trabalhos direito, não estudam todo o conteúdo para a prova e pescam do coleguinha que enfrentou um pouco mais sua preguiça. Quase todo mundo foi estudante, acho que não preciso continuar, não é?

A Beata levanta-se irada.

Beata: Já chega! Cansei disso tudo! _ Tira a saia que estava usando, felizmente ou infelizmente por ser pudica, usava uma calcinha daquelas que parece um short_ Não agüento mais essa brincadeira! Não quero mais ficar pensando e sentindo essas porcarias. Vocês conseguiram, me convenceram que o mundo não tem mais salvação, me convenceram que não vale a pena ter pudores, moral, princípios e ideais. Não vale a pena esforçar-se para nada! A preguiça está absolutamente certa, ninguém mais tenta fazer nada nesse mundo. O povo usa carro até pra ir na esquina!

Pecador: Calma, Madalena. Não faça assim, veja por outro ponto de vista, eles nos apontaram os principais problemas, podemos tentar combatê-los de alguma forma.

Beata: Combater de alguma forma? Diga-me, rapaz, você está disposto a tentar amar? Está disposto a não levar pra cama qualquer uma, mas somente a mulher que acredita ser certa? Ham? Está disposto a renegar a preguiça, a luxúria, a ira, a inveja, a gula, a vaidade e a avareza?

Pecador: Não ser avarento não significa viver na pobreza, garotinha. E você está exagerando na luxúria.

Beata: E como vai domar sua inveja e sua ira? Diga-me, comece agora a tentar me convencer que a porcaria deste mundo vale a pena. Não vale, AMA DEUS. Desista. Os sete pecados capitais abriram meus olhos e meu corpo. Agora vou ser feliz como nunca me atrevi a ser.
Pecador: Não viva, Madalena, como se está fosse a sua única oportunidade de errar. Acredite em mim.

Beata: Tempo!!!!!!!! Você já tem seu veredicto, não é? _ olha para a platéia_ e vocês, pecadores, já tem o de vocês?

A preguiça deu uma gargalhada enquanto meu corpo se paralisou de calafrios e as cortinas se fecharam enquanto o Pecador tentava convencer a Beata que o mundo ainda tinha alguma chance.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Luxúria

O próximo pecado esperou que ela se acalmasse, acredito, pois demorou um pouco para aparecer. As luzes foram entrando em um estado de penumbra e foram ficando avermelhadas aos poucos. Eu sentia qual era o próximo porque o aroma de cravo da índia e aquela iluminação só podiam indicar um pecado dos dois que faltavam.
A Luxúria entrou em um banco carregada por homens fortes, como a própria Cleópatra. Acreditem quando digo que somente olhar para aquela mulher era um motivo suficiente para estar ali.
Seus lábios incitavam a luxúria, seus olhos acordavam nossos desejos mais sacanas.
Estava vestida como que coberta pela mais forte das lascívias. O Pecador que antes estava preocupado com a Beata, encontrava-se, como eu, inebriado pela Luxúria.

Luxúria: Prazer, meus amigos. Devo apresentar-me excitada por vê-los, sou a Luxúria_ colocou uma das pernas sobre a cadeirinha na qual foi carregada e ajeitou a meia e foi caminhando pelo palco com sensualidade_ sou a voz da pele e a vontade da carne. Sou a inimiga mais declarada da igreja e a mais escancarada pelos humanos, eu sou a principal arma da publicidade e sou o ponto fraco da maioria dos homens. Eu sou versos, sou tinta, sou melodia, sou postura, sou a arte chocando e apaixonando desde os tempos mais longínquos.
Enquanto a inveja é escondida, a vaidade é exibida, eu sou parte do que são. Sou viciante, faço perder a cabeça, o pudor, a moral, a ética, a compaixão, o controle por completo. Sou ainda pior do que um pecado, sou um vício, causando até crises de abstinência com horrorosas conseqüências.

A presença daquela mulher era tal que ninguém se atrevia a tirar os olhos dela. Mesmo a beata estava hipnotizada, mas seria o Pecador a explicar-lhes melhor o efeito que ela tinha. Ele a olhava mais do que inebriado por ela, seus sentidos já entregues ao seu poder e sua face desenhava realmente a face de um homem em um estado de excitação que somente as mulheres de sua intimidade conheciam.
A Luxúria olhou maliciosamente para a platéia e com um sorriso intrigante apontou para um homem no meio da multidão.

Luxúria: Mesmo na era da individualidade e da solidão, eu ainda consigo estar presente através da masturbação. Desde escandalosos atos em público, como este do nosso caro amigo, até _ e deu um suspiro provocador, caminhou até a Beata e agarrou-lhe pela cintura com força. As duas ficaram tão próximas que o mais leve movimento resultaria em beijo_ os toques mais discretos e mais secretos, mas que mesmo o menor dos recatos condenaria. E aqueles gritinhos de prazer contidos jamais escutados na solidão de um quarto_ a mão da luxúria foi levantando a saia da beata_ Eu ultrapasso a ideologia da alma, pela vontade do corpo. O desejo de ceder aquele calor que no sobe até invadir nossa mente. Eu estou presente mesmo na mais omissa das mulheres ou no mais inseguro dos homens.

Ela jogou a Beata sobre o pecador e a fraqueza que caira sobre a moça depois da cena de sedução ficou explicita e cada vez mais excitante. O Pecador a cheirou como ela provavelmente nunca foi cheirada e os olhos dos dois cruzaram-se como se realmente ninguém mais no mundo existisse. Entretanto, não havia nenhum romantismo na cena.

Luxúria: Prostituição, sodomia, pornografia, incesto, masturbação, pedofilia, zoofilia, fetichismo, sadismo e seu querido irmão, o masoquismo. Percebam, que na maioria das vezes, eu sou um dueto, sou a harmonia entre dois lados, então vem o Estupro, o transbordamento da Luxúria, sua forma irascível. Existem maridos que estupram suas mulheres, existem pais que estupram suas filhas. O que mais vocês precisam para se convencer do meu poder?!_ ela gritou e se virou de uma vez, neste momento o pecador que ainda estava com a beata nos braços e os olhos fixos nos dela, rasgou o colete que a moça usava, deixando-a sobre o palco com uma blusa de alça e os belos ombros nus.

O Tempo bateu seu cajado e o efeito sobre o casal quebrou-se.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

31a01

Bem, eu havia preparado um texto para postar hoje, mas não vou.

Desculpem interromper a seqüencia aqueles que estavam acompanhando, mas além de estar tendo problemas em continuar a Luxúria, na verdade preciso de ajuda (Espero que não me levem a mal), houve também a passagem do ano.

O texto que eu havia preparado era uma respectiva de 2009 e um conjunto de declarações e metas para 2010, mas cheguei a conclusão que 2009 mais do que qualquer outro ano deve ser esquecido. Foi meu ano de decepções e dores profundas e não devo mais falar disso.

Foi o ano também em que o homem que mais amei e mais amarei em toda minha vida encontrou finalmente sua paz, e acreditem, não é como uma pessoa religiosa que digo isso.

Não é nem mesmo um eufemismo para sua falência, é como eu realmente a vejo. Depois de quatro anos de sofrimento, eu o vi partir, não em paz como em gostaria, mas também não sozinho, como eu temia.

2009 foi um ano sem palavras para mim, cheguei a esta conclusão por fim.
2010 quero levar com meu pai no coração e que sua garra e o apoio sempre tão fiel da minha mãe consigam me levar para este ano que se mostra cada vez mais decisivo na minha vida.

Sendo clichê, porque o clichê ainda é o melhor as vezes, desejo a vocês o que precisam e não o que querem, e que possam cada vez mais crescer e não esquecer o passado mas se alimentar de conhecimento com ele.

Que a vida de vocês seja um samba dos mais alegres.

Abraços e fogos de artifício a todos!