quinta-feira, 29 de março de 2012

Vidas

Olho em silêncio a vida que não faço parte
E me pergunto dolorida a quem ela pertence.
Sou intrusa numa realidade de outrem
Ou não há dono ou anarquia?
Simplesmente existe aquele vazio
A ser com o tempo preenchido?

Calo-me todos os dias
O silêncio dos pensadores.
Sigo cada passo me adentrando
Na vida que comprei pra mim.
E meu suor escorre em meu rosto
Cegando-me para o caminho que não segui.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Ela e ele.

Ela era fogo e solidão,
Impulso e exatidão.
Carregava no sorriso vazio
As verdades mais duras.

Ele era calma e alegria,
Pensamento e adiamento.
Olhos sempre fixos
Nesse nada que chama de tudo.

Os dedos entrelaçados,
Completamente sem palavras,
Resumem um respirar sofrego
E corpos sempre quentes.

Os encaixes inesperados e esperados
Tão perfeitos e unos
Tão solos e compartilhados.
Tão secretos quanto uma manchete.

Pernas, braços, lábios.
Distância.
Pensamento, desejo, saudade.
Proximidade.

Tempo. Tempo. Tempo.
Ela e ele.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Hoje e aquele outro advérbio...

Meu objeto de trabalho é aquele que todos amaldiçoam quando são postos a trabalhar com ele.
Acontece que as pessoas só o veem como amarras e correntes, eu o vejo além, o vejo como fim e não como meio. Os desafios desse meio são terríveis para mim, amedrontam meus nervos, mas quando penso nos fins, tudo faz um grande sentido.

O que eu gosto é de tentar tornar menos agonizante para as pessoas que são forçadas a trabalhar com isso, o processo todo. Eu me apaixono por causas, por coisas abstratas... talvez isso seja errado, talvez não... mas quem dirá o que é certo?

Atualmente só acredito em duas coisas: concordo e discordo.

E quando vejo as transformações... quando vejo o abstrato tomar forma... só não me proporciona prazer maior do que uma nova descoberta, um novo conhecimento adquirido... acho que serei uma eterna estudante... assim espero.