terça-feira, 27 de outubro de 2015

Quem somos?

Era um pássaro assustado. Frágil. Não parecia que sabia voar.

Talvez estivesse com a asa quebrada, talvez tivesse esquecido quem era.

O pássaro tentou imitar o pintinho, que se parecia com ele. Mas viu que andava diferente, tinha diferente e N crescia como ele.

O pássaro tentou um imitar o cachorro, mas não tinha quatro patas e não gostava da ração.

O pássaro tentou imitar o homem, mas não o compreendia.

Restou ao pássaro imitar o gato. E foi andar com ele para aprender a ser felino. 

Restou-lhe então a opção: voar ou ser devorado.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Questionando

Hoje, acordei questionadora.
Estava pensando o quão interessante é para o Estado, poder público, o financiamento de teses de doutorado e dissertação de mestrado em ciências humanas que não abordam sua aplicabilidade fora dela.
Atualmente, as ciências humanas parecem um sistema retroalimentar, no qual o conhecimento gerado é gerado para ela mesma. A situação ocorre, na verdade, em toda a academia, que tem produzidos lindos volumes de capa preta para enfeitar setores vazios de bibliotecas por todo o país.
O banco de teses nacional não é nem mesmo divulgado dentro da academia.
E lá estamos nós com várias teses e dissertações sobre Clarice Lispector, Rousseau, Lacan e Foucault que não são levados para o mundo, para dentro das salas de aula.
O aprofundamento nos grandes filósofos, literatos ou cientistas políticos, por exemplo, limita-se a um pequeno grupo de pessoas que dedicará a vida a auxiliar os seus substitutos a surgirem, e este conhecimento fica emperrado dentro das faculdades, sem aplicação técnica, sem aplicação política, sem aplicação didática.
Cada ignorante político é fruto desta incoerência, desse narcismo que a ciência humana se deixa consumir. E porque não trabalhar a aplicabilidade dentro da CH? E porque não fugir do quadrado? E porque não questionar-se a si própria como ela tanto prega aos seus alunos?
Eu entendo a importância idealista de se estudar os grandes filósofos como Foucault, Lacan, etc. Mas essa ideologia é aplicada? Quem conhece esses homens? São levados aos jovens? Aprendemos a questionar? Nossos professores aprendem isso? Aplicam isso?
Sinto que falta sim aplicabilidade às ciências humanas, penso sim que deve haver uma mudança em sua metodologia de ensino e na forma que ela é vista e sentida por todos.
Não deveria se limitar a um seleto grupo de pessoas ser capaz de ler e discutir Foucault.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Metamorfose

Olhar para trás pode nos tornar estátuas de sal?
Permaneço em um local até quando ele me faz bem e quando saio, mesmo olhando para trás, ainda vibra no meu peito a certeza da minha partida e de que faria o mesmo se vivesse aquilo de novo.
Hoje, porém, essa tristeza me doeu.
Doeu ver a superficialidade das relações que, ao pesar se devia partir, contaram como argumentos para ficar.
Bem, que bom que não fiquei.