Hoje, acordei questionadora.
Estava pensando o quão interessante é para o Estado, poder público, o financiamento de teses de doutorado e dissertação de mestrado em ciências humanas que não abordam sua aplicabilidade fora dela.
Atualmente, as ciências humanas parecem um sistema retroalimentar, no qual o conhecimento gerado é gerado para ela mesma. A situação ocorre, na verdade, em toda a academia, que tem produzidos lindos volumes de capa preta para enfeitar setores vazios de bibliotecas por todo o país.
O banco de teses nacional não é nem mesmo divulgado dentro da academia.
E lá estamos nós com várias teses e dissertações sobre Clarice Lispector, Rousseau, Lacan e Foucault que não são levados para o mundo, para dentro das salas de aula.
O aprofundamento nos grandes filósofos, literatos ou cientistas políticos, por exemplo, limita-se a um pequeno grupo de pessoas que dedicará a vida a auxiliar os seus substitutos a surgirem, e este conhecimento fica emperrado dentro das faculdades, sem aplicação técnica, sem aplicação política, sem aplicação didática.
Cada ignorante político é fruto desta incoerência, desse narcismo que a ciência humana se deixa consumir. E porque não trabalhar a aplicabilidade dentro da CH? E porque não fugir do quadrado? E porque não questionar-se a si própria como ela tanto prega aos seus alunos?
Eu entendo a importância idealista de se estudar os grandes filósofos como Foucault, Lacan, etc. Mas essa ideologia é aplicada? Quem conhece esses homens? São levados aos jovens? Aprendemos a questionar? Nossos professores aprendem isso? Aplicam isso?
Sinto que falta sim aplicabilidade às ciências humanas, penso sim que deve haver uma mudança em sua metodologia de ensino e na forma que ela é vista e sentida por todos.
Não deveria se limitar a um seleto grupo de pessoas ser capaz de ler e discutir Foucault.
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