terça-feira, 12 de outubro de 2021
Suspiros
Ah! O coração! O músculo de movimento involuntário com tão pouca autonomia a quem é atribuída tamanha simbologia
Velhos amigos, mas nem tanto
As mesas espaçadas e as luzes incandescentes, coloridas, enfeitando o ambiente como se fosse festa junina. Ao ar livre, cercados por árvores e gramas e casais e aquele amor idealizado. Entre eles, o meu. Sentada ao lado da pessoa que eu escolhi e que me escolheu. Não nos olhamos nos olhos mas nos tocamos frequentemente. Perna encostada na perna, mãos que se acariciam furtivamente.
Então, entre meus devaneios sempre frequentes, quando meu olhar atravessou a multidão quase que por acidente, encontrei teu sorriso direcionado aos teus filhos. E o sorriso dela sempre livre entre as bochechas carnudas.
Você estava feliz e sua felicidade me alegrava e me doía. Doeu pensar que poderia ter sido nós dois. Mas será que poderia? Será que essa roupa me vestiria? Não me parece servir. Parece aquela sensação de quando você assiste um filme de ficção e pensa, "minha vida poderia ser assim", mas no fundo você sabe que não poderia porque precisaria que você fosse outra pessoa, no caso, eu precisaria ser outra pessoa.
Foi bom ver seu rosto, tão perto, tão longe e tão real. E antes que qualquer outro pensamento se formasse, eu acordei. Despertei com o corpo dolorido e a bexiga cheia. Fora um sonho. Tudo fora um sonho. Sonhar com você depois de tanto tempo pareceu estranho, nostálgico e tão significativo.
Foi bom ver seu rosto, porque pareceu, mais do que nunca, que pude ver algo dentro de mim.