Gula: Hum... graças a Ira, temos agora dois juizes. Eu sou a Gula. Vocês sabem o que isso realmente significa? É aquele desejo incontrolável e irracional que nasce ninguém sabe de onde. Eu sou o consumismo. Você sabe do que estou falando, não é rapaz? Sabe o que é trocar de celular a cada dois meses e comer tudo o que vê pela frente. A sua sorte é que pratica muitos esportes. Mas isso já é coisa da vaidade.
Beata: Ou talvez ele não seja guloso o suficiente.
Gula: Está carente de atenção? Também é um tipo de gula, sabia? Querer sempre mais e mais atenção. Essa foi uma das minhas principais marcas para este século. As pessoas inventaram de tudo para conseguir atenção. O mundo virtual propiciou esse desejo de forma brilhante. Sites e programas que expõem a vida e os pensamentos das pessoas. Com que objetivo? Se relacionar? Gula. Gula de atenção. Disso você entende, não é pequena?
Beata: Não sei do que está falando (diz ela séria).
Gula: Mas esta foi somente a principal forma. Olhem ao seu redor. Os centros de compras estão cada vez mais lotados. A validade de algo é a moda. Se muda a moda, hora de trocar de produto. Ficar com algo ultrapassado só porque ainda é útil? Não. Hora de consumir. Hora de comprar um brinco novo, uma roupa nova, uma comida diferente. Ah! Comida... eu adoro comida! Tanto que vocês, pobres mortais, pensam que sou a gula da comida e somente dela. Não. Sou mais do que isso.
Pecador: Essa conversa me deixou com fome.
Gula: Deixou mesmo? Tem certeza que só não quer sentir aquele sabor delicioso de uma carne mal passada servida em um espeto e o garçom cortando lentamente aquele pedaço que vai caindo no prato? E depois de provar vários tipos de carne, comer uma deliciosa sobremesa que talvez nem caiba mais no estômago. Como dispensar aquele sorvete? Aquele pudim? Aquela torta de chocolate...hum....
Beata: Você quer somente nos tentar.
Gula: Tentar? Pense um pouco mais, beata! O que são as multinacionais senão a minha voz? O consumismo! Sou de fato, inimiga da Avareza e, ao mesmo tempo, sua melhor amiga. As pessoas preferem comer comidas rápidas e gordurosas do que cuidar da própria saúde, e por quê? Por gula. O número de obesos no mundo aumentou incrivelmente. Para as pessoas que compram demais foi inventado um tratamento no que chamam de psicologia e que acha que será mais eficiente em nos combater do que foi a igreja no passado, porém caríssimos, ambos falharão. O pecado já está na natureza do ser humano, nem mesmo o mais puro dos homens escapa consegue resistir ao nosso charme.
Pecador: Isso me fez pensa que inentaram o rodízio por causa da gula e quase todos os restaurantes especializados atualmente possuem rodízio.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
A Ira (Parte II)

Ira: (Ri) Ah! Sinto cheiro de pecado vindo de você (diz bem pertinho de alguém da platéia)... hum, sei o que andou fazendo, viu? Podia ser um juiz bem melhor do que aquela trouxa lá em cima (Ri apontando pra alguém)... Ah! Você sabe o que é pecar! Acho que vou escolher você (fala com outro)... Você só falta levantar a placa, peque, não é? (com outro membro da platéia)... Querida, ainda bem que você não nasceu no tempo da inquisição. Teriam feito três fogueiras pra você. (Ri de uma mulher na platéia) ... Hum, você entende do assunto! (Fala pra alguém)... Quando você vai construir um altar pra ( Fala o nome de um pecado para alguém na platéia).......
A Ira, ao chegar ao fim de todos, olha para o caminho que veio.
Ira: (gritando) Nunca vi tanto pecador junto! Como vou escolher um? Como vou saber o que melhor nos entende? É pecador demais! Vocês nunca tiveram catecismo ou besteira parecida não?! Daqui a pouco será impossível escolher um de nós porque vocês já estão corrompidos demais! Se duvidar, um dia me deparo com alguém que seja mais ira do que eu. Vou chamar qualquer um. Você (Aponta para o Pecador)! Passa logo pra lá.
Pecador: Não grite comigo (gritando).
Ira: Vocês humanos reclamam muito. Passe logo!
O Pecador para a certa distância da Beata. A Ira examina-o.
Pecador: Por que eu? (zangado)
Ira: Por causa do seu histórico de vida. Porque você “não leva desaforo pra casa”, porque você já machucou as mãos batendo em uma parede de tanta raiva. Porque você já jogou um carro contra conhecidos porque estava com ciúmes. Porque você já queimou tudo que pudesse lembrar quem você amou por pura raiva. Porque você entende o que é querer esganar alguém. Porque você entende o que é a vingança e admira o seu sabor. Por isso, escolhi você. Porque sei que reconhece o meu valor.
Pecador: O que quer jogando tudo isso na minha cara?
Ira: Quero que grite ao mundo o quanto sou poderoso! Quero que mostre a todos quantas coisas são feitas em meu nome, quanto sangue já jorrou porque eu existo. Não estou jogando as coisas na sua cara, estou elogiando sua ira. Você já sentiu ira até contra si... muitos não suportam e se matam, mas você não, quebrou seu quarto inteiro, mudou de personalidade, mas se manteve amante da vida e dos prazeres que são oferecidos por nós. Imagine, algumas pessoas traem por serem minhas, algumas pessoas entregam seu corpo a quem nem querem tanto por mim. Há tantas formas de Ira....
Beata: Sim, muitas formas e nenhuma delas torna o mundo melhor.
Ira: Tornar o mundo melhor? Eu sou o sentimento a flor da pele. Eu estou na história inteira. A famosa guerra de Tróia ocorreu por minha causa. Escute este homem. Escute-o dizer como ele odiou quando o irmão dele riscou todo o dever de casa dele quando ele tinha catorze anos, ou como ele odiou perder a final do campeonato inter-classe no ano seguinte.
Beata: Não quero saber de nada ( grita ela, Ira sorri).
Ira: verdade? Sim, verdade. Eu lembro quando sua prima empurrou você porque você disse que ela estava errada e sua mãe bateu em você... sim, eu lembro, lembro como odiou todas elas. Lembra-se do que sentiu? Sentiu a mim. Agora, diga, não sou o Pecado soberano?
Tempo bate seu cajado, é hora do novo pecado entrar. Ira sai, entra a Gula.
A Gula entra com um delicioso quitute na mão, passa próximo aos juizes e para na frente deles.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Tempo: Toda virada de século, tentamos decidir através do diálogo. Toda virada de século, penso que todos vocês são o Orgulho. Toda virada de século, é escolhido um juiz para decidir quem foi o Pecado Soberano. Eu escolhi esta jovem. Ela conhece todas as obras sobre vocês e lê jornais, livros e revistas. Argumentem. Deliberem! (Sai de cena)
Ira: Eu começo! Não vou ficar ouvindo vocês falando e falando e falando.
Inveja: Eu sempre quis começar.
Gula: É bom que posso comer um pouco mais, e pensar um pouco mais.
Orgulho: Os primeiros a começar sempre sofrem mais, no fim, ela nem lembrará do primeiro.
Luxúria: Concordo, Orgulho. Apesar de que se eu fosse a primeira, a deixaria abalado pelo resto da eternidade.
Avareza: Acho que você tem que andar menos com o Orgulho, Luxúria. Vamos logo com isso. Tempo é dinheiro.
Seis pecados saem, ficando somente a Ira e a Beata, completamente assustada, no centro do cenário.
Ira: (Examina a moça assustada) Está se sentindo diferente, jovem?
Beata: Quem é você?
Ira: Sou a Ira. Conhece-me?
Beata: Não, não. A Ira nos impede de raciocinar, de fazer boas escolhas. A Ira nos afasta das pessoas, não posso conhecer você (fecha os olhos).
Ira: Não pode me conhecer? E o que acha que foi aquele sentimento quando a professora acusou você de estar “pescando”? Ou quando descobriu que seu pai traía sua mãe?
Beata: Não fiquei irada (já um pouco alterada, mas sem falar alto).
Ira: Acha que ‘ira’ é gritar, berrar, quebrar, matar? Até encolher-se no canto de uma sala e chorar por horas seguidas é uma forma de ira. Chora porque a quer recolher dentro de você, quer domá-la. Quer rejeitar esse desejo de matar, esganar, trucidar que vem dentro de você. Quer fingir que não seria mais feliz se pudesse vingar-se. Você grita por dentro.
Beata: Saia daqui! Não quero ouvir você.
Ira: Não quer e não pode. Sabe que o que digo é verdade. Sabe bem que estou espalhada por aí, reinando. Pense naqueles adolescentes que se rebelam contra os pais. Até mesmo a rebeldia sem causa. A necessidade de atenção. As drogas. Oh! O que são as drogas senão ação minha? Ira contra o mundo ou contra alguma coisa qualquer.
Beata: Eu não quero ouvir (Mãos nos ouvidos e olhos apertados).
Ira: Sabe bem do que falo. Sabe que as pessoas bebem e matam por mim!!!! Esquecer... esquecer... lembrar é uma das poucas coisas úteis que o homem faz e ele prefere esquecer. Sabe por quê? Porque desejar esquecer de tudo é dos meus sintomas! Quem nunca tiver sentido Ira, que atire a primeira pedra.
Beata: Pai nosso que está no céu...
Ira: Você está rezando! (grita) Chega! Eu vou atrás de alguém que entenda o que é PECADO. Alguém que saiba o que é gritar, berrar e até amar!!! Porque depois que se tem um coração partido, sou eu que apareço para explicar o ocorrido (Riso)
A Ira “desce” olhando pra cada membro da platéia. Sinto arrepios.
Ira: Eu começo! Não vou ficar ouvindo vocês falando e falando e falando.
Inveja: Eu sempre quis começar.
Gula: É bom que posso comer um pouco mais, e pensar um pouco mais.
Orgulho: Os primeiros a começar sempre sofrem mais, no fim, ela nem lembrará do primeiro.
Luxúria: Concordo, Orgulho. Apesar de que se eu fosse a primeira, a deixaria abalado pelo resto da eternidade.
Avareza: Acho que você tem que andar menos com o Orgulho, Luxúria. Vamos logo com isso. Tempo é dinheiro.
Seis pecados saem, ficando somente a Ira e a Beata, completamente assustada, no centro do cenário.
Ira: (Examina a moça assustada) Está se sentindo diferente, jovem?
Beata: Quem é você?
Ira: Sou a Ira. Conhece-me?
Beata: Não, não. A Ira nos impede de raciocinar, de fazer boas escolhas. A Ira nos afasta das pessoas, não posso conhecer você (fecha os olhos).
Ira: Não pode me conhecer? E o que acha que foi aquele sentimento quando a professora acusou você de estar “pescando”? Ou quando descobriu que seu pai traía sua mãe?
Beata: Não fiquei irada (já um pouco alterada, mas sem falar alto).
Ira: Acha que ‘ira’ é gritar, berrar, quebrar, matar? Até encolher-se no canto de uma sala e chorar por horas seguidas é uma forma de ira. Chora porque a quer recolher dentro de você, quer domá-la. Quer rejeitar esse desejo de matar, esganar, trucidar que vem dentro de você. Quer fingir que não seria mais feliz se pudesse vingar-se. Você grita por dentro.
Beata: Saia daqui! Não quero ouvir você.
Ira: Não quer e não pode. Sabe que o que digo é verdade. Sabe bem que estou espalhada por aí, reinando. Pense naqueles adolescentes que se rebelam contra os pais. Até mesmo a rebeldia sem causa. A necessidade de atenção. As drogas. Oh! O que são as drogas senão ação minha? Ira contra o mundo ou contra alguma coisa qualquer.
Beata: Eu não quero ouvir (Mãos nos ouvidos e olhos apertados).
Ira: Sabe bem do que falo. Sabe que as pessoas bebem e matam por mim!!!! Esquecer... esquecer... lembrar é uma das poucas coisas úteis que o homem faz e ele prefere esquecer. Sabe por quê? Porque desejar esquecer de tudo é dos meus sintomas! Quem nunca tiver sentido Ira, que atire a primeira pedra.
Beata: Pai nosso que está no céu...
Ira: Você está rezando! (grita) Chega! Eu vou atrás de alguém que entenda o que é PECADO. Alguém que saiba o que é gritar, berrar e até amar!!! Porque depois que se tem um coração partido, sou eu que apareço para explicar o ocorrido (Riso)
A Ira “desce” olhando pra cada membro da platéia. Sinto arrepios.
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