sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A Ira (Parte II)


Ira: (Ri) Ah! Sinto cheiro de pecado vindo de você (diz bem pertinho de alguém da platéia)... hum, sei o que andou fazendo, viu? Podia ser um juiz bem melhor do que aquela trouxa lá em cima (Ri apontando pra alguém)... Ah! Você sabe o que é pecar! Acho que vou escolher você (fala com outro)... Você só falta levantar a placa, peque, não é? (com outro membro da platéia)... Querida, ainda bem que você não nasceu no tempo da inquisição. Teriam feito três fogueiras pra você. (Ri de uma mulher na platéia) ... Hum, você entende do assunto! (Fala pra alguém)... Quando você vai construir um altar pra ( Fala o nome de um pecado para alguém na platéia).......

A Ira, ao chegar ao fim de todos, olha para o caminho que veio.

Ira: (gritando) Nunca vi tanto pecador junto! Como vou escolher um? Como vou saber o que melhor nos entende? É pecador demais! Vocês nunca tiveram catecismo ou besteira parecida não?! Daqui a pouco será impossível escolher um de nós porque vocês já estão corrompidos demais! Se duvidar, um dia me deparo com alguém que seja mais ira do que eu. Vou chamar qualquer um. Você (Aponta para o Pecador)! Passa logo pra lá.
Pecador: Não grite comigo (gritando).
Ira: Vocês humanos reclamam muito. Passe logo!

O Pecador para a certa distância da Beata. A Ira examina-o.

Pecador: Por que eu? (zangado)
Ira: Por causa do seu histórico de vida. Porque você “não leva desaforo pra casa”, porque você já machucou as mãos batendo em uma parede de tanta raiva. Porque você já jogou um carro contra conhecidos porque estava com ciúmes. Porque você já queimou tudo que pudesse lembrar quem você amou por pura raiva. Porque você entende o que é querer esganar alguém. Porque você entende o que é a vingança e admira o seu sabor. Por isso, escolhi você. Porque sei que reconhece o meu valor.
Pecador: O que quer jogando tudo isso na minha cara?
Ira: Quero que grite ao mundo o quanto sou poderoso! Quero que mostre a todos quantas coisas são feitas em meu nome, quanto sangue já jorrou porque eu existo. Não estou jogando as coisas na sua cara, estou elogiando sua ira. Você já sentiu ira até contra si... muitos não suportam e se matam, mas você não, quebrou seu quarto inteiro, mudou de personalidade, mas se manteve amante da vida e dos prazeres que são oferecidos por nós. Imagine, algumas pessoas traem por serem minhas, algumas pessoas entregam seu corpo a quem nem querem tanto por mim. Há tantas formas de Ira....
Beata: Sim, muitas formas e nenhuma delas torna o mundo melhor.
Ira: Tornar o mundo melhor? Eu sou o sentimento a flor da pele. Eu estou na história inteira. A famosa guerra de Tróia ocorreu por minha causa. Escute este homem. Escute-o dizer como ele odiou quando o irmão dele riscou todo o dever de casa dele quando ele tinha catorze anos, ou como ele odiou perder a final do campeonato inter-classe no ano seguinte.
Beata: Não quero saber de nada ( grita ela, Ira sorri).
Ira: verdade? Sim, verdade. Eu lembro quando sua prima empurrou você porque você disse que ela estava errada e sua mãe bateu em você... sim, eu lembro, lembro como odiou todas elas. Lembra-se do que sentiu? Sentiu a mim. Agora, diga, não sou o Pecado soberano?

Tempo bate seu cajado, é hora do novo pecado entrar. Ira sai, entra a Gula.
A Gula entra com um delicioso quitute na mão, passa próximo aos juizes e para na frente deles.

3 comentários:

Freddy Costa disse...

UM MERO SUSPIRO DE FREDDY.

Paulo Henrique Passos disse...

Irada essa Ira!

Eu ainda não tinha lido o prólogo, aí estranhei essa platéia.

Mas, num sei não, parece que vai ser difícil derrubar essa ira. Mas vamos ver os outros...

CA Ribeiro Neto disse...

"Eu sou o sentimento a flor da pele", por isso acho que a Ira ganha! hehehehe