sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tempo: Toda virada de século, tentamos decidir através do diálogo. Toda virada de século, penso que todos vocês são o Orgulho. Toda virada de século, é escolhido um juiz para decidir quem foi o Pecado Soberano. Eu escolhi esta jovem. Ela conhece todas as obras sobre vocês e lê jornais, livros e revistas. Argumentem. Deliberem! (Sai de cena)
Ira: Eu começo! Não vou ficar ouvindo vocês falando e falando e falando.
Inveja: Eu sempre quis começar.
Gula: É bom que posso comer um pouco mais, e pensar um pouco mais.
Orgulho: Os primeiros a começar sempre sofrem mais, no fim, ela nem lembrará do primeiro.
Luxúria: Concordo, Orgulho. Apesar de que se eu fosse a primeira, a deixaria abalado pelo resto da eternidade.
Avareza: Acho que você tem que andar menos com o Orgulho, Luxúria. Vamos logo com isso. Tempo é dinheiro.

Seis pecados saem, ficando somente a Ira e a Beata, completamente assustada, no centro do cenário.

Ira: (Examina a moça assustada) Está se sentindo diferente, jovem?
Beata: Quem é você?
Ira: Sou a Ira. Conhece-me?
Beata: Não, não. A Ira nos impede de raciocinar, de fazer boas escolhas. A Ira nos afasta das pessoas, não posso conhecer você (fecha os olhos).
Ira: Não pode me conhecer? E o que acha que foi aquele sentimento quando a professora acusou você de estar “pescando”? Ou quando descobriu que seu pai traía sua mãe?
Beata: Não fiquei irada (já um pouco alterada, mas sem falar alto).
Ira: Acha que ‘ira’ é gritar, berrar, quebrar, matar? Até encolher-se no canto de uma sala e chorar por horas seguidas é uma forma de ira. Chora porque a quer recolher dentro de você, quer domá-la. Quer rejeitar esse desejo de matar, esganar, trucidar que vem dentro de você. Quer fingir que não seria mais feliz se pudesse vingar-se. Você grita por dentro.
Beata: Saia daqui! Não quero ouvir você.
Ira: Não quer e não pode. Sabe que o que digo é verdade. Sabe bem que estou espalhada por aí, reinando. Pense naqueles adolescentes que se rebelam contra os pais. Até mesmo a rebeldia sem causa. A necessidade de atenção. As drogas. Oh! O que são as drogas senão ação minha? Ira contra o mundo ou contra alguma coisa qualquer.
Beata: Eu não quero ouvir (Mãos nos ouvidos e olhos apertados).
Ira: Sabe bem do que falo. Sabe que as pessoas bebem e matam por mim!!!! Esquecer... esquecer... lembrar é uma das poucas coisas úteis que o homem faz e ele prefere esquecer. Sabe por quê? Porque desejar esquecer de tudo é dos meus sintomas! Quem nunca tiver sentido Ira, que atire a primeira pedra.
Beata: Pai nosso que está no céu...
Ira: Você está rezando! (grita) Chega! Eu vou atrás de alguém que entenda o que é PECADO. Alguém que saiba o que é gritar, berrar e até amar!!! Porque depois que se tem um coração partido, sou eu que apareço para explicar o ocorrido (Riso)

A Ira “desce” olhando pra cada membro da platéia. Sinto arrepios.

6 comentários:

Thiago César disse...

vixe, soh depois q li a ultima frase lembrei q na verdade essa peça está dentro de uma narrativa! hehe...
muito bom!
desculpe por nao ter ido hj, mas tenho um trab da facul pra terminar... fica pra proxima!
bjos!

Freddy Costa disse...

O Pecado Soberano são as beatas! :D

Olha, não sei se vou aguentar ler somente uma vez por semana, me coçando para ler todo o resto num só fôlego...

Paulo Henrique Passos disse...

Não consigo ver ainda quem será o soberano, mas pode ser que o tempo tenha que se dá um pouco mais. Mas, no final, talvez a beata fique irada de tanto ouvir tantas tentativas de promoções. Mas num sei...

Paulo Henrique Passos disse...

Quanto a tua questão - não sei das outras - sobre o meu atual post, é o seguinte: não é que o fato de estar num ambiente virtual descaracteriza um texto como literetura; isso realmente não acontece, prova disso somos nós do "blogs de quinta".

A questão é que é quase uma unanimidade, entre os que tem maior apreço pela literatura, a defesa intransigente do livro, em detrimento da leitura no computador - e por extensão no e-reader -, visto que essa leitura só serve, digamos assim, para textos referenciais, informativos, utilitários.

E se tanto o computador como o e-reader são ambientes virtuais, computadorizados, por que lemos no copmputador e não poderemos ler no e-reader? Da mesma forma que tornamos o computador em algo menos frio - essa expressão já tá ficando chata - podemos fazer o mesmo com qualquer coisa.

Espero que tenha entendido. Qualquer coisa...

A moça da flor disse...

ansiosa pelas "cenas dos próximos capítulos" hehe.

CA Ribeiro Neto disse...

A melhor parte é a última frase, voltando-se ao pessoal! heurheurheurheuh

Eu continuo apostando na Ira, ela ganhará... heuhreurheurheuhruh

beijos, aguardando mais...