quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ex-Rosa-Desfolhada

Andava pelos bosques
Uma dama de cabelos vermelhos
Com lento caminhar.
O vento chamava suas pernas,
A sandália latina escondia
a fragilidade de seu calcanhar.
O umbigo despido
zombava de todo e qualquer olhar.
Os seios se diziam seus
e se ofereciam sem inocência
dentro de sua torre de marfim,
cobertos com seda preta.
O anel de aço anunciava
a sede de sangue
e a dureza de seu coração.
A língua afiada cortava
Todo o romantismo que lhe esbarrava.

Agora anda por aqui,
Uma dama de cabelos castanhos
Com lento caminhar.
O vento clama suas pernas,
os pés cobertos a levam a um só lugar.
O umbigo já não tem tempo de zombar,
e a pele branca conhece todas as cores.
O anel de prata reluz
um característico brilho no olhar.
E aquela amante exótica
tornou-se um admirável clichê,
e o romantismo agora tem novo lar.

9 comentários:

Thalita Castello Branco Fontenele disse...

Mas persiste :)

Thiago César disse...

pelos poemas mais recentes arrisco dizer q vc tah apaixonadinha hein! hahai...

CA Ribeiro Neto disse...

Marcella, o final está no passado, porque no começo do segundo estrofe, diz-se que "quando ela chega", ela acabou de chegar, e chegou dizendo "que todos sentiram a sua ausência. Deu pra entender agora?

Depois passo aqui para comentar sua poesia!

Nesse domingo tem APPLE, viu?

Ramon de Alencar disse...

...
-Marcela, não me canso de repetir, tu me surpreendes, simplesmente lindo! Pude até ver como é bela a imagem e a feminina...

Zé soares Neto disse...

muito bom te ler...
ler teus olhos em encontros casuais, tb...

CA Ribeiro Neto disse...

As mulheres mudam bem mais completamente do que os homens, sem dúvida e desde sempre.

Qual das duas atrai mais? Não haverá unanimidade entre os Homens.

Freddy Costa disse...

Leio e releio...

Pedro Gurgel disse...

uau!

E ela muda, e deixa de ser muda, vira rosa desabrochada, da cor mais comum. A mais típica das existências, exceto pelo preenchimento do amor!

Mas como escreve essa menina!

CA Ribeiro Neto disse...

Realmente 'Aflição' não combina com o autor... hehehehe
E realmente, como o Marcelo Almeida falou, essa poesia é inocente por o autor ser inocente mesmo, ela é bem antiga, do meu começo.

Quanto a amar na solidão, coloquei isso pensando no amor platônico, que é o caso referido na poesia. Amor platônico conta?