sábado, 27 de novembro de 2010

Completude



Arthur and Guinevere Digital Art by Alan Armstrong
Ela fechou a porta e colocou a bolsa sobre a mesa.
Ele estava no sofá com o controle na mão e os olhos cansados.
Ela o olhou relutante.
Ele a olhou com um sorriso mudo e estendeu-lhe o braço chamando-a.
Ela atendeu seu chamado, aninhou-se no seu colo e derramou-se no sofá.
Ele perguntou-lhe qualquer coisa sobre o dia.
Ela respondeu qualquer banalidade.
Ele sentiu que havia algo errado.
Ela levantou-se e sumiu no corredor.
Ele apareceu na porta do quarto com os olhos tristes.
Ela respondeu que o outro era somente um amigo.
Ele perguntou se ela ainda o amava.
Ela consentiu.
Ele perguntou se ela amava o outro rapaz.
Ela consentiu.
Ele fez um rosto confuso, dilacerado.
Ela disse que não era o mesmo amor.
Ele não queria saber, mas perguntou.
Ela disse que um a preenchia a alma e outro todo o resto.
Ele jamais ousou perguntar quem ele era.
Ela perdoara suas traições, mas agora temia ter cometido uma ainda pior.

4 comentários:

Marcos Paulo Souza Caetano disse...

"Marcella diz:
não, a alma pode só se encantar
acho q paixão é para o corpo
pq é algo q bagunça e corpo e consequentemente confunde a alma
mas o encanto é algo q a inunda"

Metáforas e mais metáforas.

Um abraço minha amiga! E sabe que terá "sempre" o meu encanto tb"

Marcos Paulo Souza Caetano disse...

PS: Muito bem escolhida a imagem, a intertextualidade ficou mais rica.

Gisa Carvalho disse...

A histórias de traições são sempre confusas e tensas. Há muito por detrás de tudo.

Gabriéla Sobreira disse...

Entendi tudo. Você surpreende sempre!

Bjs!