quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Mais que um suspiro

Não tenho um pingo de erudição, sou pura e flamejante paixão.
Sou uma pulsação ressonante que parece alterar-se pelo mero encontro de ondas.
Vale com vale, crista com crista, vale com crista.
Minha inconstância mascarada por qualquer pétala desgarrada.
Sou a moça que andava saltitante pelas pedras daquela alta montanha e depois sentou-se silenciosamente à beira mar, olhando sempre aquela linha do horizonte que parece guardar tantos segredos, mas que só guarda um mundo falsamente habitado.
Querem por vezes que eu mergulhe na falsidade de líquidos no insabor da vida, mas meu maior mergulho é minha euforia nata que é também minha melancolia eterna que me traz esse ar evidente das sombras dos meus próprios sorrisos.
E sempre me reviro neles, porque são o que tenho de mais forte e belo dentro e fora de mim.
Que importa esse amor que por vezes me sufoca, senão é dele que tiro a euforia que o germina?
Que importa se meu sorriso reluz agora e minha lágrima me afoga em outra hora?
Que importa se a rima usada é rima frequentemente pregada pelos tolos e pelos sábios que perderam a alma?
Que importa, no final das contas, as palavras que já foram ditas, se viraremos pó e morremos como lembrança na morte da última mente que nos acolheu?
Importa que é momento, importa que nos deixa livre do que será e do que se foi, para dar uma abraço no hoje e ver um olhar no presente do indicativo, o tempo sem tempo.
Pena que nem sempre lembro disso...

6 comentários:

CA Ribeiro Neto disse...

Respondendo ao seu comentário no meu blog, eu gosto de textos assim mesmo, mas sei que não faz muito o meu estilo. Não foi um experimento, foi a produção de um texto como outros. E eu pensei em fazer algo mais aguniante, mas quis fazer uma coisa mais parada, pra dá a idéia de tédio, mas não sei se consegui.

Depois eu comento o seu texto! beijos

Thiago César disse...

aki e agora!
YES!

Hermes disse...

Gosta de Clarice?

Anônimo disse...

O.O

CA Ribeiro Neto disse...

Estou apegado a frases e duas me chamaram a atenção
frase 1: "Não tenho um pingo de erudição" - eu também não! Essa frase me lembra que também não me considero romântico, mas muita gemte me acha.

frase 2: "... e ver um olhar no presente do indicativo..." - eu desejo para todos, um olhar atemporal!

p.s.: até onde eu sei, a Marcella gosta de Clarice.

Ramon de Alencar disse...

...
-É por que és Viva!
Lindo texto