Marcos estava se aposentando e se perguntando se fizera algo de útil em sua vida.
Ele subiu no ônibus pela porta da frente. Sentou-se na solitária cadeira ao lado da porta e abriu o jornal.
Doze anos antes, Marcos entrava em uma imensa sala com 50 alunos.
Com dois meses de aula, um deles o cativou. Seu interesse, sua participação, seus textos chamaram a atenção de Marcos e mais alguns professores.
Muitos alunos eram inteligentes e aprendiam rápido como Anita Maria, mas nenhum parecia ter tanta sede por conhecimento quanto ela.
Ela sempre tinha uma pergunta e um livro.
Era por alunos como Anita Maria que Marcos saía de casa todos os dias.
Antes, era pelo desejo de ensinar, mudar o mundo. Com o tempo, ele percebeu que o mundo não quer ser mudado.
As pessoas abertas a mudanças já são diferentes e sempre sofrem por isso.
Foi o que aconteceu com Anita Maria.
Oito anos atrás, Marcos encontrou a moça em um “shopping”. Ela estava radiante, bonita, determinada.
Dois anos atrás, Marcos não a reconheceu. Seu olhar era distante e seus passo incertos.
Ela era uma bonequinha de porcelana e o mundo havia arranhado-a tanto que a tinta dos seus olhos já começara a sair.
Anita Maria virou-se para seu antigo professor e disse:
— Ainda sou um ser sem luz, mas encontrei uma vela graças ao senhor.
Agora, Marcos olhava-a no jornal. A aluna que mais o orgulhara estava internada em um hospício.
E ele? Onde estava internado?
5 comentários:
É, realmente é difícil mudar o mundo, porque ele é feito de pessoas.
na história, os dois se nfluenciaram mutuamente, e é asim que é possível.
quanto á última pergunta, eu acho que era na própria mente.
tu jah gosta desse nome neh? anita...
hehe!
bela indagação final!
não ouso respondê-la.
Sem palavras.
Achei quase perfeito o escrito.
Ela não se chamava Anita MONTES?
Muito bom o texto, também não me arrisco a responder a pergunta. Quem sabe a Anita soubesse...
beijos
Adorei o texto... Interessante... instigante...
Menina, finalmente eu te linkei... rsrrs
Saudades!!!
beiiiiiiiiiiijo
Postar um comentário