terça-feira, 26 de maio de 2015

Riscos e Rabiscos

Ele abriu a porta e estendeu a mão para que ela entrasse. Ela colocou seu salto contra o piso de madeira e foi entrando no apartamento com as mãos juntas e os braços esticados, como uma criança que não sabe bem como se portar.
Ela caminhou pelo apartamento em silêncio, observando cada detalhe da decoração, procurando desvendar segredos de seu companheiro.
Ele a seguia, observava a calma de seus passos e o desenho perfeito de seus tornozelos. Sorria ao perceber sua falta de intimidade com o salto e como o vestido de cetim desenhava-se pelo seu corpo a cada movimento de sua perna.
Ela parou diante da cama e puxou com leveza o laço de seu vestido que o prendia ao pescoço. O tecido foi descendo pelo seu corpo delicadamente, até despejar-se no chão.
Ele se aproximou mais um pouco e a cheirou no pescoço, estava tão próximo que ela sentia sua respiração, seu toque.
Ela fechou os olhos para sentir o momento, tão simplesmente o momento.
Ele passou o dedo levemente por toda a sua coluna vertebral, começando por baixo e subindo a nuca. Ajudou-a a deitar a cabeça sobre o ombro, abraçou-se por trás e beijou-a no pescoço.
Ela se virou para ele, que admirou seus seios enquanto ia perdendo a consciência do próprio corpo e sendo tomado por suas vontades.
Ele beijou os seios dela e acariciou sua pele, a deitou em sua cama e a lambeu dos pés até os lábios. Encaixou suas mãos na cintura dela e ela o prendeu com suas pernas. Seus pés foram descendo pelas pernas dele e seu ventre o chamava.
Ele a beijava enquanto uma de suas mãos encaixara-se perfeitamente em um de seus seios e a outra mão segurava-a pela cintura.
Ela o beijava enquanto suas mãos cravavam-se em suas costas e suas pernas o prendiam cada vez mais a ela.
Ela o virou contra a cama e subiu em cima dele, mordiscou seu corpo e mergulhou em seu próprio desejo.
Difícil seria dizer quem estivera mais preso e mais livre.
...

Na manhã seguinte, ele a observou ajeitar os cabelos nua em frente ao espelho, vestir-se novamente com calma e cuidado. Sentou-se na cama para calçar-se novamente.
A última imagem que ele lembrou daquele dia, foi sua mão vazia tentando alcançar a dela e tocando somente na ponta do vestido de cetim que se despedia dele balançando e anunciando que nunca mais voltaria ali.

Nenhum comentário: