terça-feira, 26 de maio de 2015
Dançando
Ela chegou com aquele seu espontâneo e atrapalhado jeito. Observou as cadeiras vazias e acomodou-se em uma cadeira solitária, como solitária estava. Sentara entre uma criança e um jovem rapaz.
Apesar de não haver álcool naquela mesa, contrariando as expectativas sociais que indicam que deve haver a presença de álcool para risadas altas e pessoas animadas, as conversas fluíam naturalmente.
Pernas se batiam, braços se tocavam. Sorrisos tão próximos, respirações tão sentidas. A conversa animosa sobre as questões de gênero eram cenário de tudo aquilo.
Certamente, atração física.
E vem aquela dúvida de sempre, é recíproca?
Ela se levanta e lhe estende a mão.
Ele a olha nos olhos e aceita o convite, puxando-a firmemente contra ele.
Começam a dançar enquanto se afastam da mesa. Cada batida da música é um tempo e um contratempo, um movimento a distanciar e aproximar, cada aproximação ele a puxa com força pela cintura e ela sente no ventre a atração.
Uma perna contra a outra, a respiração tão próxima que já se mistura.
As pernas se encaixam, ele a segura por trás da cintura, a levanta sutilmente e ela desce a coluna dobrando as pernas e encaixando ainda mais contra as suas, mas é enquanto se levanta que a sedução se completa. Olho no olho.
E quem observa se pergunta o que lhes falta de fato para tirarem a roupa, para fugirem daquele salão e jogarem-se na privacidade de quatro paredes.
Enquanto a resposta não chega, ela o agarra com perna e ele vai passando a mão em sua perna delicadamente, como quem procura um segredo em sua pele. Até que se soltem.
Ela remexe o quadril contra o seu, mas este contra é a favor, pois já estão os dois em mesma sintonia.
E quando a música acaba já não há mais ritmo ou saída. Eles se cumprimentam e voltam às suas cadeiras inebriados do cheiro e dos desejos expressos da pele.
E na hora das despedidas, ela o olha com um sorriso malino e diz:
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Um comentário:
Narração perfeita da cena.
vou desenhar
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