- Está fugindo da multidão?
"Na verdade, fugia de você também".
- Um pouco.
- Havia esquecido o quanto você é incrível.
A mulher que sempre tinha uma palavra na ponta da língua, dessa vez ficou em silêncio.
- Sempre me chamou atenção como você não tem necessidade de ser como elas.
- De ser como a sua esposa?
Os dois se encararam por um tempo.
- Nunca vai me perdoar?
- Não tenho pelo que te perdoar. Eu entendo. Entendo você. Entendo ela. Entendo tudo.
"Menos o que acontece entre nós quando nos aproximamos".
- Eu sei que você não vai acreditar ou que parece mentira, mas o que você fazia eu sentir nunca ninguém me fez sentir.
- Não quero falar disso, Iago.
- Tudo bem.
- Você nunca foi de tantas palavras.
Ele sorriu e aquele sorriso doeu nela.
- Queria que você soubesse que eu não menti.
- Olha, eu concordo com você. Concordo que não éramos para ficar juntos. O que temos é pele _ e parecia sim que todo seu corpo o chamava, mais forte que um imã_ amamos outras pessoas. Não tenho raiva de você. Tudo bem?
- Tudo bem.
- Felicidades, Iago.
- Felicidades, Angela.
E ele entrou para que ela ficasse novamente com seu conhecido silêncio, mas dessa vez, com algum vazio também.
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