Era somente uma briga, dessas que a gente tem e passa uma ou duas semanas sem se falar e então alguém toma atitude, fala alguma coisa e, de repente, está tudo bem.
Era somente mais um briga, igual a todas as outras.
Só que não tomei o primeiro passo, não fui pedir desculpas, não falei nada.
Então ela me ligou, disse que queria me ver e meu coração acelerou. Pronto, era agora que tudo ficaria bem.
Lembro-me como se fosse hoje da minha animação amarrando os tênis.
Então cheguei e ela estava lá, com o rosto triste, sentada na mesa mais afastada das pessoas, como sempre.
Pensei logo, não vamos conversar, deixa tudo pra lá, já foi tempo demais distante.
Queria beijá-la, abraçá-la, mas ela não permitiu, apontou logo para a cadeira e olhou-me nos olhos de uma forma diferente.
O que estava acontecendo, me perguntava incessantemente.
Então ela começou a me dizer que tinha recebido uma proposta irrecusável, iria para longe. Era hora de partir, de seguir seu próprio rumo.
Não, ela não me disse isso. Ela só me disse que ia embora.
E ela foi embora.
Recebo notícias suas, às vezes, por conhecidos ou internet.
Mas ela já não é ela, ela é uma outra pessoa, assim como eu sou outro.
Olho para este retrato da minha menina como se nela ainda existisse o passado, ainda existisse a mesma pessoa que partiu e me partiu.
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