Geralmente você seria o primeiro telefonema que me ocorreria em momentos assim, mas hoje não, hoje me guardei para mim.
Às vezes, faço isso, mas é tão mal feito que tiro da gaveta meu caderno e expulso a voz muda para dentro dele e ela fica lá, ainda mais muda, como se fosse quase outra língua. Talvez como você, assim, no seu canto, em uma insapiência acima da própria consciência.
É que nas linhas do caderno me vejo com outros olhos, é como se eu fosse capaz de sair de mim e ver tudo com outra ótica. Sou até capaz de ver você com outra ótica, o caderno é mesmo poderoso.
Há momentos, porém, que não há resposta alguma. Não há o que se ver, o caderno simplesmente é e você simplesmente é, e nós simplesmente somos e o nada ainda é o nada.
Você é a minha manifestação de Platão, te idealizo quase humano, mas é o quase que faz a diferença, porque no fim das contas ainda há a quebra da idealização e a imagem se quebra. E eu me quebro, me quebro para renascer.
Sou quebrada, como certa vez me disseram. Sou pesada, como certa vez me julgaram. Mas sou minha, como certa negaram. Não sou tua, como jamais declarei.
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