Ela sentou-se no quebra-mar, os ventos fizeram par com seus cabelos para uma valsa que somente ela entenderia.
Seu olhar atravessava o horizonte ao passo das ondas que de respingos lhe banhavam.
Anita estava lá para mergulhar nas mais belas lembranças de seu coração. Lembranças tão calmas e fascinantes quanto aquele momento.
Um dos homens de sua vida deitados em seu colo, seus dedos entre os negros cabelos dele e seus olhos fixos como quem mantém a ligação com a alma.
Quantos personagens Anita criou em cima dele? De momentos como aquele em que tudo o que devia ser dito era expresso pelo silêncio?
Silêncio este que a alimentava agora e que servia de propulsão para sua viagem sobre o mar e através do tempo.
Anita lembrou-se do balançar das árvores indignadas com os segredos não trocados pelos amantes.
Segredos que deviam destruir, mas que quando revelados, fortaleceram. E depois dos segredos, o fim. Talvez pela falta deles.
Anita saboreou a saudade que sentiu e a saudade que sentia. Era como se deixar levar pelas ondas.
3 comentários:
misteriosa vc hein...
Sempre delicada essa Anita
Eu tou adorando essa Anita!
Bonito esse texto, Marcella. Não é àtoa que é finalista de nosso concurso!
beijos
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