sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Órbita

A mulher perfeita em sua dança perfeita, com seu vestidinho preto básico e seu cabelo impecável, fazendo os movimentos que todos esperavam que ela fizesse.
A mulher imperfeita com seu vestido completamente harmônico para a dança mais-que-perfeita que rompia com todos os valores do preciso. Seu vestido girava até o limite de ser condenado pelos menos puritanos, seu cabelo formava-lhe a cortina que a separaria do mundo hipócrita que queria limitar seus gestos e seus lábios contraídos mostravam que ela era somente um ser normal entregue ao seu momento de leviandade.
E de repente, aqueles olhos tristes que montavam seu cenário inalcançável encontraram a felicidade em outros olhos. Sem poder movimentar nada além do seu rosto, seu pescoço, um homem era feliz.
Ali, parado, observando algo que não foi identificado por este observador amador, havia felicidade, este sentimento que faltava aquele que vos fala.
Mesmo quando não havia sorriso em sua face, percebia-se por suas feições a leveza. A dança de outrem era o êxtase do seu sorriso.
Um abraço único, um código de amizade e cumplicidade, que mesmo traindo a origem etnológica do gesto, era ainda mais fiel ao seu significado que tantos abraços por aí dados.
Quatro amigos roubaram a cena, mas foi uma única felicidade, uma sincera, uma alegria pura, longe da inveja e do ciúmes que contaminou este observador que se sentiu pleno na felicidade de outro.

4 comentários:

Anônimo disse...

Marcela, sem querer dá uma de Carlinhos, mas já o fazendo, penso que você poderia ir além desse texto. É um texto muito bom, mas um texto típico seu, de um tema ou jeito já muito desenvolvido por você. Acho que, como o Carlete sempre me diz: "você devia se arriscar um pouco mais."

CA Ribeiro Neto disse...

Antes de ler seu texto, desde já, respondo ao comentário que fez em meu blog: o comentário do Cabeça lá no meu blog, não era referente à minha poesia, mas sim, uma resposta do comentário que fiz em relação à poesia dele, que eu a achei, sim, forçada.

CA Ribeiro Neto disse...

Acho que o Pedro foi bem de Carlinhos... hehehehe

Não, mas falando sério, discordando do que ele falou, acho que os casos de vocês dois são diferentes. Pra ilustrar o que eu quero dizer, entenda assim os dois escrevem sobre várias coisas, mas quase sempre do mesmo jeito. A diferença estaria que esse "mesmo jeito" dele, parece uma forma e a sua, parece uma moldura.
Acho que de tanto eu insistir, ele mudou um pouco e evoluiu bastante.

Mas concordarei com ele, no sentido de que esse texto em si, também me deu a impressão de que você deveria arriscar mais. Literariamente mesmo. Podemos discutir mais isso depois!

Mas o texto está ótimo! O Começo me lembrou "Puro extase" do Barão vermelho! hehehehe

Thiago César disse...

tenho q ler melhor em outra ocasião...