Muitas coisas passaram. Coisas que eu já nem tento lembrar. Coisas que não parecem reais.
Não é a primeira vez, e nãod everá ser a última, que olho para o presente em busca do passado e vejo alguns traços de semelhança. Traços que facilmente vemos em um filho e um pai.
Por vezes, penso que quero enlaçar o passado e prender-me a ele como alguém que se prende a um relógio quebrado, mas de ouro.
Será que meu relógio é de ouro? O que há nele que tanto me fascina? Talvez porque ele eu já entenda, já aprendi a lidar, já sei o que faz a pulseira apertar e afrouxar.
A vida não é um relógio, no final das contas. Quando o ponteiro da vida completa um ciclo, não encontra mais o ponto de seu início. Provavelmente, já será um novo relógio, ao novo ciclo.
Tenho isso tatuado na carne-viva da consciência, mas fecho os olhos e busco no novo canto, o antigo.
Se a teimosia humana é sua pior forma de cegueira, é melhor eu começar a montar uma begala com minha coleção de relógios, ou vou penar nessa cidade que se faz ignorante às deficiências.
7 comentários:
E quem disse que a vida é um relógio?
A vida é como uma circunferência e suas pontas...
"carne viva da consciência"...
GOSTEI MUITO DO TEXTO!!!
profundo hein!
Discorcondando com o Pedro. Acho que a vida é um relógio sim.
Vamos sempre penar na cidade, porque, assim como todos nós, ela também tem o seu relógio. E olhe, podemos até sincronizá-los, mas eles sempre vão desregulando!
p.s.1: Todos os membros do grupo atualizaram na quinta!!!!!!!
p.s.2: Esse PH do 'Imerso em Versos', também é PH, mas não é o que você já conhece! Aquele, que é fundador do APPLE e tal, é PEDRO Henrique, e esse aí é PAULO Henrique. Não sei se sabes, mas digo, caso não saiba!
Muito bom, seu texto!
beijos
Tempo: um dos assunto que mais me fascina.
Impressionante a arrumação de idéias e palavras. O texto ficou espetacular
É mais ou menos isso o que você falou mesmo, de se mostrar forte para o outros, mesmo quando não se é de verdade. Só que nos versos, a pessoa realmente tem poder e gosta disso ("o ar é puro no pináculo"). A última estrofe, em terceira pessoa, indica que, apesar de estar sobre um poder, o eu lírico está SOB um poder que é maior e destruidor. enfim, pouco adianta alcançar o poder e não se autodominar
...
-Isso me remete a Lakan: ´´O Homem está fadado a infelicidade, pois deseja sempre a repetição.´´
Belas palavras Marcela....
Olhar para o passado também significa querer um futuro melhor... É humano querer ascender.
Tu és muito humana, Marcela.
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