quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A Manchete

- Eu vi seus olhos
- O quê?
- Eu vi seus olhos estampados na manchete de um jornal, olhos de procurado, olhos de quem está procurando.
- Você está bem?
- Estou melhor do que você.
Ele riu. Um riso de deboche? O riso de quem ri do tolo. Quem é o tolo?
- Eu vi os seus olhos quando fecharam o hospital. Você estava de pé, olhando para a linha que separava o céu e o prédio. E a Manchete dizia, “Morre a Esperança, Mataram uma criança”.
- A manchete não dizia isso.
- Sabia que seus sonhos não têm fim?
- Quem é você?
- Um sonho não morre, nem acaba, ele se transforma, no máximo. Pode ser até em dor. É mais fácil pensar que ele morre_ uma breve pausa_ Eu? Eu sou Anita Montes. Adeus.
O homem ficou vendo aquela estranha mulher afastar-se, com suas calças largas, blusa colada e mãos nos bolsos.
Pegou o livro que sua esposa lhe deu antes de morrer no dito hospital. “O Sonho que Morreu” de Anita Montes


Marcella Facó


Estou postando contos que envolvem de alguma forma minha mais nova companheira de introspecção.
Espero que gostem... pelo menos até minha cabeça voltar ao normal... Anita se fará presente, de alguma forma.
Essa postagem foi o primeiro conto que escrevi dela e o que eu primeiro devia ter postado.
Desculpem a falha.
; )

beijos

6 comentários:

C'est La Vie disse...

Marcella, está vendo como você é perfeita?!
Nossa como eu te amo.
Fiquei foi arrepiada ao ler!!

Thiago César disse...

o normal da sua cabeça nao seria nao estar normal?

CA Ribeiro Neto disse...

Muito bom, o texto. Geralmente é esquisito começar um texto com diálogo, mas esse ficou muito bom mesmo!

Paulo Henrique Passos disse...

Parece-me que Anita é uma daquelas pessoas que, por ter passado por algo ruim, não deseja o mesmo pra ninguém.

Ramon de Alencar disse...

...
-Isso me empolgou...

Anônimo disse...

Gostei dela!!

Me apresenta?!

O sonho que morreu?

Sonhos...

...sempre tão perfeitamente reais!

E eu que sonhei que meu sonho era real.
E eu que sonhei que a realidade era um sonho.
E ponto final.
(reticências)