Mas faz alguns dias entrei novamente no meu ciclo de reflexões e tristezas. Talvez seja só cansaço. Talvez sejam algumas dores que precisam transbordar.
Nisso, senti vontade de escrever-lhes uma carta. Faz muito tempo que não as escrevo porque faz muito tempo que compreendi que não vale a pena, minhas palavras, sejam escritas ou pronunciadas, não tem valor, não são compreendidas.
Vocês sempre dizem que me conhecem há muito tempo, duas décadas, quase três, mas a grande é verdade, é que em todo esse tempo, vocês nunca pararam para me enxergar. Talvez envoltas demais no próprio egocentrismo tenham sido incapazes de compreender que algumas das minhas atitudes não eram sobre vocês, eram sobre mim. E embebidas demais em seus próprios preconceitos, exatamente por causa do tempo que nos conhecemos, foram incapazes de me REconhecer.
Tudo o que eu dizia tinha uma resposta de refuta quase que automática, ao ponto que eu me perguntava às vezes se vocês ouviam ou refletiam sobre o que falavam.
As falas mais secas, às vezes, me pareciam as mais sinceras, porque dali se via que nossos encontros viraram somente um protocolo do tempo. Por isso, quando a primeira me descartou em uma mídia social, a descartei em outra mídia social. Não preciso mais.
Não preciso mais do desconforto.
Eu acho que eu só queria ser vista e receber carinho, saber que se um dia eu quebrasse, teria alguém para juntar meu cacos.
Foi um susto perceber que o que eu esperava de vocês é que me apontassem as rachaduras e dissessem ao final: quebrou porque era fraca e dramática.
Mas foi também libertador, porque ninguém além da própria pessoa conhece o tamanho de sua força.
Hoje, nesse dia de sol em que dentro de mim está nublado, eu sinto que precisei escrever essa carta.
Mais uma carta não enviada para aquelas que matam fadas.
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