terça-feira, 22 de agosto de 2023

Obviamente.

Enquanto tento me despir de quem eu era, tirar peça por peça do que construí e de quem escolhi ser para me reconstruir e me (re)transformar, chamam minhas lágrimas de automartírio.

Talvez o seja. Quem sabe. A dor que se passa no corpo é tão mais fácil de entender do que a dor da alma.

Lágrimas salgadas quando tocadas por peles sensíveis ardem a pele, por isso, nem todos são aqueles que tem coragem de abraçar quem tem chora para lavar a alma ou que sua para fortalecer o corpo.

Estranho escrever algo que parece tão triste quando me sinto tão bem, quando acho que quase todas as peças já foram tiradas e a carne viva que deixei já está quase todas seca e lavada das lágrimas que derramei ao longo do último ano. Deve ainda ter pedaços da carcaça que vão cair dolorosamente quando eu estiver desprevenida, mas obviamente, não será mais uma surpresa.


Nenhum comentário: