quarta-feira, 29 de junho de 2011

Estátua de Sal


Sou Estátua de Sal,
Presa por olhar o reverso,
Seduzida pelas próprias ilusões.
Não vesti Sodoma.
Mas andei por ela como se fosse Paris.

Nasci das mentiras sinceras.
Rejeitei a hipocrisia no altar.
Mas ela ainda abraça-me
E sou presa sem face,
sem força, sem nome, sem nação...

Nas mentiras de Sodoma
Moravam meus sonhos,
Naquela pureza
Que somente Diógenes buscaria.
E assim vivia o fogo que esperava ver...

O Mundo não é feito de decepções
Mas de expectativas.
Sodoma era, para muitos, o prazer do presente,
A expectativa da imortalidade
Em um único dia.

Sob o Sol, a Estátua de Sal
sorri como a dama que foi.
Sob a Lua, chora junto à Diógenes
De costas para o espelho,
Sob a luz de uma lanterna.

Um comentário:

Hilário Ferreira disse...

Às vezes me encontro pensando sobre as "estátuas de ar", da fragilidade, da efemeridade, da fugacidade das coisas. Como se não coubesse expectativa pelo fato de só termos o presente como possibilidade válida para se afirmar.
'A expectativa é o primeiro passo para a frustração', como diria uma parte de mim em outros contextos.
Eu ver pela perspectiva de não se esperar nada das coisas, deixar que elas sejam o que elas podem ser por elas mesmas, sem as balizas do meu desejo e dos meus ideais e idealizações. Tem um carinha que me ajudou na academia (Paul Zinker) que falava que a gente deveria experimentar ver as coisas como a gente ver o por do sol: sem esperar que esteja mais amarelo ou vermelho, mais para esquerda ou direita, a gente apenas observa e deixa ele ir , e às vezes a gente se permite ir com ele.




E eu sempre gostei do simbolismo na história da mulher de Ló ter sido punida por olhar pra trás: " Se você olha para trás com medo do que está deixando deveria ficar ficar ao invés de ir" e ela ficou.



Lembrei do disco do u2 de 2000:

All that you can't leave behind
(um dos meus discos favoritos)


"And love is not the easy thing
Is the only baggage that you can bring
Love is not the easy thing
The only baggage you can bring
Is all that you can't leave behind"


No começo de 'walk on' diz isso. Eu depois de muito tempo percebi que a gente não tem o objeto amado, a gente só pode levar o sentimento, o amor pelo amado(a). Depois entendi a amar mais o sentimento amor que o ser amado.


Eu vago, divago e viajo demais... (infinitas maneiras de se fazer chato)