Ela era aquela garota que ficava com a mão no queixo e os olhos distantes durante a aula. Nunca se sabia se estava prestando atenção ou não, pois quando menos se esperava sua mão subia ao alto e sua voz pronunciava aquela pergunta que ninguém tinha pensado?
A vida acabou por aproximá-la de mim e vi nesta dispersa menina uma das poucas pessoas que realmente me faziam companhia, tiravam do meu interior a solidão.
Ela lembrava dos detalhes que eu lhe contava e parecia compreender a minha alma como poucos. Aquela menina diferente e confusa fez a "arte de encontro" realmente parecer uma arte. Nunca a tinha visto se fechar em um casulo, nunca a tinha visto fugir da dor, nunca a tinha visto se calar, mas muito a tinha visto chorar.
Sua dor me dava liberdade de sentir dor.
Agora, não a encontro, mesmo quando olho em seus olhos, não a vejo. Ela não fala, ela não chora, ela está calada, sorrindo, com todos os seus segredos.
Quem é ela?
2 comentários:
Quem é ela, não se sabe. Mas agora ela está calada tentando compreender o que se passa de verdade em sua mente. Ela está trabalhando enlouquecida pra te trazer as respostas que você precisa quando menos esperar, ou quando encontrá-las corretas e adequadas ao seu momento.
Eu lembrei de uma música do Bob Dylan que poderia até ser fala parafraseada do outro personagem:
"... And though our separation, it pierced me to the heart
She still lives inside of me, we've never been apart.
If you get close to her, kiss her once for me
I always have respected her for busting out and gettin' free
Oh, whatever makes her happy, I won't stand in the way
Though the bitter taste still lingers on from the night I tried to make her stay
If you see her, say hello..."
As músicas do Bob Dylan são muito extensas e tão bonitas...
Acho ele mais poeta que músico.
Ah, lembrei de muita coisa...
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