sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Prosa Poética

Hoje amanheci com as palavras coxas. Algumas das conversas antigas vieram visitar-me. Na verdade, não a conversa por completo, mas somente duas frases.

Um das frases de autoria de uma mulher baixinha, de cabelos negros e um diploma nas palavras. A outra, de um rapaz de olhos grande e um livro sob o braço.

Pensando neles, decidi escrever uma crônica e fui buscar emoções nas idéias.

Lembrei-me do senhor que vi outra quinta destas em um ônibus, cujo coração saltitava pela idéia de ver o mar. Não usava belas roupas nem tinha a aparência agradável. Era somente um homem de blusa manchada e o desejo na alma, como tantos outros por aí. E suas palavras balançavam como aquele que não sabe o que diz.

Mas sobre o mar já escreveram demais, seria piegas.

Passemos então mais adiante. Pensei em escrever sobre a ansiedade, a dor e a alegria que o vestibular simboliza para tantas e diversas pessoas. Redigir algumas linhas sobre a persistência, o sonho e o homem. Mas isso também já foi feito.

No fim, o vestibular não passa disso, uma porta para um sonho que nem se sabe se é realmente um sonho.

O que não pensei em dizer foi que aquela mulher, naquela noite, com um palavra, fez-me admitir que jamais a escrita será a minha profissão e a minha obrigação.

Aprecio quem faz da escrita um exercício, mas não sei se um dia chegarei a chamar isto ou aquilo de bonito.

Prefiro parecer imitar Clarisse e Pessoa ao dizer que escrever é a minha forma de liberdade. Não posso condicioná-la a idéias que os outros julguem brilhantes. Quando vou escrever, é a mão esquerda que pega a caneta, por mais que seja a direita que a ponha sobre o papel.

8 comentários:

Thiago César disse...

"No fim, o vestibular não passa disso, uma porta para um sonho que nem se sabe se é realmente um sonho."

COM CERTEZA!

marilia disse...

idem o que o Thiago falou...


E completo... Felizes são aqueles que sabem o que querem e vão fundo na busca desse querer... são poucos, mas existem...

É uma boa prosa e ainda poética.
Me sinto essa liberdade de escrever tb, é uma forma de escrever aquilo que não dá para se falar.

Valeu!!!
Beijão!!!

Paulo Henrique Passos disse...

"Não posso condicioná-la a idéias que os outros julguem brilhantes." Tô contigo.

CA Ribeiro Neto disse...

Eu e a professora do FEPLAC lhe deram as frases...








Ah, eu também escrevo com a esquerda...

CA Ribeiro Neto disse...

Marcella, mais um membro pro Blogs de Quinta:

Jéssica de Sousa - www.kekadesousa.blogspot.com

Ela é minha irmã!!! [irmão orgulhoso!!!]

Adcionem!

CA Ribeiro Neto disse...

Marcella, mais um membro do Blog's de Quinta:

Herbenia Ribeiro - www.nabuscadeumaaprendizagem.blogspot.com/


Adcionem.

Hermes disse...

Concordo principalmente com alguns pontos. O do vestibular, e o segundo, não é bem concordar, mas escrevo também com a mão esquerda. Eu acho que a literatura não poderia ser uma obrigação para mim, às vezes crio abuso, e justamente por me obrigarem a trabalhar com ela. É que nem a música, tem que ser exercício de vontade, não de obrigação. Acho que a crônica você passeou, passeou e acabou falando de mais coisas do que falaria se tivesse um assunto já definido em mente.

Fiuza disse...

"Era somente um homem de blusa manchada e o desejo na alma, como tantos outros por aí." não teria melhor comentário ou divagação, mas eis a frase com que mais indentifiquei-me.