quinta-feira, 23 de julho de 2009

Prainha

Bruno caminhava lentamente para fora de seu prédio. Lembrou-se de uma viagem que fizera com Luana, foram conhecer a Prainha.
Viajaram durante horas. Luana já estava ranzinza, resmungando de quase tudo. E por um erro dele, viajaram de modo que na hora do almoço ainda estavam na estrada.
Quando Bruno percebeu que haviam se perdido, teve receios de dizer à esposa. Escolheu um restaurante e a levou.
Ela que tanto gostava de falar, estava praticamente muda. Ele tentou agrada-la e quanto mais se esforçava, mais recebia dela um olhar crítico e desconfiado, até que finalmente ela perguntou se ele sabia onde estava. Sutilmente negou.
Luana dedicou as horas seguintes a descobrir como chegar a seu destino e não proferiu uma única palavra sobre outro assunto até saber o caminho certo.
Quando chegaram, Bruno procurou o olhar da esposa, esperançoso de finalmente receber um pouco de afeto e compreensão, mas ela já ia longe, fascinada pelo mar.
Ao aproximar-se, Luana virou para ele com um lindo sorriso e olhos radiantes, novamente obcecada por um único assunto, a beleza do mar.
Após o jantar, Bruno a procurou e ela estava lá, admirando o mar, sentada na areia da praia. Ele sentou-se ao seu lado e recebeu a notícia que seria pai pela primeira vez.
Agora, esperava a porta do elevador abrir e a única notícia que viria a receber que é Maurício não iria se importar de tê-lo como hóspede.
Seu casamento não ia bem há tempos. Era como se entre ele e a Luana existisse grades que os mantivessem em mundos diferentes. Os defeitos que antes os faziam sentir que se completavam, agora eram somente um símbolo mínimo do quão eram diferentes.
Há dois meses, andava de flerte com uma moça do seu trabalho e, há um mês, Luana começara a implicar com a menina de forma infundada. Nem fora ele que comentara dela, fora o próprio Maurício contando uma situação engraçada que houvera dentro da empresa.
Bruno, que sempre fora tão cético, questionou se não era real o sexto sentido feminino.
Mas que importava agora? Ele estava solteiro. Chegara ao estado que ansiava há algum tempo. Devia sentir-se livre, mas se sentia somente inseguro.
Respirou fundo e bateu na porta de Maurício.

9 comentários:

Pedro Humilde Lindão disse...

Toc. Toc. Toc...

Ele pega seu celular e liga para a esposa, ou ex-esposa, e relembrou o episódio da Prainha com Luana. Riram um pouco.

Entreou na casa do amigo, e foi dormir.

Pedro Gurgel disse...

(corrigindo...)

Toc. Toc. Toc...

Ele pega seu celular e liga para a esposa, ou ex-esposa, e relembrou o episódio da Prainha. Riram um pouco.

Entrou na casa do amigo, e foi dormir.

Thiago César disse...

nossa, adorei o passeio pela cronologia desse conto!
parabéns!

Ramon de Alencar disse...

...
-Arquitetado, muito bem...

CA Ribeiro Neto disse...

Gostei do texto, da quebra cronológica!

Nessa parte: "Agora, esperava a porta do elevador abrir e a única notícia que viria a receber que é Maurício não iria se importar de tê-lo como hóspede." - deveria ter algo (palavra ou pontuação) antes de 'Maurício', não?

***

Quanto ao seu comentário no meu post, acho que tem passagens do meu texto que seria complicado para crianças...

beijos

Paulo Henrique Passos disse...

Interessante mesmo a cronologia.

Teus protagonistas são quase sempre femininos; foi legal ver Bruno nesse conto, com ações "masculinas" mesmo: o receio perante as ações das mulheres, etc.

Hermes disse...

Eu demorei para entender essa quebra de cronologia, raciocínio meio lento. Tiver que ler os comentários e ler o conto novamente. Não sei porque, mas sempre fico triste quando leio textos assim. A crueldade dos fatos, casamento nunca dá certo e sempre alguém trai alguém. Foi rápido de mais para minha inteligencia. Você escreve prosa bem direitinho, podia postar mais! Abraço

CA Ribeiro Neto disse...

Marcella, temos mais um integrante do Blogs de Quinta:

Freddy Costa - http://www.opassaroeaflor.blogspot.com/

adcione-o, por favor, à lista.

Aliás, não posso deixar de comentar que a sua lista está muito ultrapassada... Gabriela Benigno e Joãozito não fazem mais parte do blogs de quinta, e Gi Faviano e Dalila Fonteles Mauler entraram...

beijos

A moça da flor disse...

concordo com o Hermes que em textos assim "casamento nunca dá certo e sempre alguém trai alguém". Precisei ler duas vezes pra entender a quebra cronológica também, considerando minha letargia depois do almoço ehehhe. Mas enfim. Agora que entendi!! Muito bom o texto! Cê realmente escreve bem prosa! Espero poder ler outras suas!
beijos!