quinta-feira, 12 de março de 2009

Ainda sem Título

Pobre pintor.
Olha este rapaz nestes Campos de Pedra
olha os olhos tristes e o contraste
com a voz grave de quem quer ser homem.
Olha como levanta bandeiras
aos mortos que falam.
Olha como desenha estátuas
para severos admiradores do teatro.
Olha sua armadura de colher flores
e os cortes marcados no corpo
para retratar raiva em nome da dor.
Pobre pintor
Que joga ao mundo moedas de ouro
para comprar sorrisos na gente estranha,
esconder espinhos da gente conhecida
e alimentar a "criança esperança",
que por vezes nega,
por vezes, abençoa e prega
em sua Grande bandeira.
Religioso sem Deuses.
Servo sem Senhor.
Amarrado por Sonhos,
Canta inaudível clamor.
Pobre pintor.

5 comentários:

Hermes disse...

Se ele não for pintor de arte moderna, tudo bem. O Pintor me lembrou o Edward mãos de Tesoura nos versos: Olha sua armadura de colher flores
e os cortes marcados no corpo
para retratar raiva em nome da dor.

Thiago César disse...

bela poesia!
os mortos q falam eh sinistro oh!
:P

CA Ribeiro Neto disse...

Gostei da poesia também.

Eu também tenho uma poesia com esse título, mas é propositadamente relacionado com a poesia! hehehe

beijos

Anônimo disse...

MEu DEus!!! Que texto lindo!!!!! Adorei a poesia, a delicadeza e profundidade dos versos...


"Religioso sem Deuses,
Servo sem Senhor."

meus versos preferidos! Atrevo-me a dizer que gostaria de tê-los escritos!!!

beijos

Anônimo disse...

Linda, linda, linda... Tocante, realmente...

Um abraço,