sexta-feira, 11 de setembro de 2026

E faz sentido?

Eu li que alguns sentimentos tristes podem trazer maior inspiração. Que inclusive grandes artistas da história tiveram suas maiores produções ou produtividades em períodos de depressão.

Esse texto, verídico ou não, sempre ressoou na minha mente. Talvez flertando um pouco com o medo de que quando a grande onda de sofrimento que foi minha adolescência/juventude passasse, fosse embora com ela minha vontade de criar, de desenha, de escrever.

Por mais que os lapsos desse blog pareçam corroborar com tal hipótese, na verdade, nem é isso. Quando se está bem, a alma se abre ao mundo. Quando não se está bem, parece que a alma quer escorrer desse quarto escuro, silencioso e ensurdecedor. A arte torna-se, portanto, o extravio do desespero, da dor, mas não pode ser resumida a isso.

A correria da vida também engole a arte. Parece que entre os diversos relatórios que temos que ler, fazer um desenho torna-se fútil. É para aqueles momentos de ócio criativo que nunca chegam, nunca aparecem.

E o nunca que se faz dessa ausência, também sufoca. Por mais que a caixa esteja aberta ao mundo para extravasar, às vezes, é preciso aquela tubulação do ladrão para auxiliar, até mesmo para evitar a caixa d'água de romper.

É preciso soprar do peito as emoções e os pensamentos.

Ah, os pensamentos... são tantos os pensamentos... 

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