sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Adolescência

Era mais um dia chuvoso naquele verão escaldante, em que o tempo parecia mais confuso do que a emoção de um adolescente.

Larissa olhou pela janela tentando adivinhar se naquele dia faria Sol ou se seguiria nublado. Apostou no Sol, não porque as nuvens pareciam que o dia seria brilhante, mas porque ouvira o pai dizer que queria que chuvesse de verdade para lavar seu carro.

A jovem então pegou a mochila e correu para a escola, andando enquanto prestava atenção em todos os sons. O som dos seus sapatos sobre a calçada, os carros que passavam, as pessoas do outro lado da rua e se alguma bicicleta ou moto estava na proximidade.

No ambiente urbano, é necessário sempre manter-se alerta, a qualquer momento, podem decidir que sua mochila devia ser de outra pessoa.

Larissa chegou à escola animada porque teria aula de História. Adorava aprender sobre o passado e a construção da civilização. Na verdade, parecia uma aula de fofoca sobre pessoas que já morreram, como no dia em que a professora deu aula sobre como houve um movimento popular fazendo piadas com a rainha Maria Antonieta.

A jovem achou a situação inegavelmente parecida com os linchamentos virtuais dos tempos modernos, com a exceção que a rainha terminara realmente morta.

A verdadeira conclusão milagrosa que aquela adolescente aprendeu com a aquela história, não foi que os séculos passados pouco tinham mudado em relação aos tempos atuais, mas que adultos e adolescentes tem mais semelhanças do que sua ansiedade de envelhecer lhe apontara.

Por isso, naquele dia, Larissa estava mais leve. Ironicamente, Larissa percebeu, que somos todos crianças e, por isso, nossos erros não devem ser tão profundos e nossas dores tão delongadas. Percebeu, que deveria pensar menos nos espinhos que carregava, nas palavras ácidas que lhe dirigiam, e mais nas conquistas e nos raios de sol que conseguia ver.

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