Quantas vezes o silêncio já foi ensurdecedoramente colocado no papel?
Acho que é impossível dizer.
Estou a dois dias namorando com silêncio. O único ruído que se escuta é o mundo acontecendo lá fora, vez por outra, o dedilhar dos teclados, o copo apoiando-se sobre a mesa, o fósforo sendo aceso, os pés tocando o chão, mas não há vozes, não há televisão, não rádio, não há celular.
O que deveria parecer solidão e isolamento, concretiza-se em paz.
Talvez porque durante tantos dias os sons foram meus inimigos, agora estou aqui, namorando com o silêncio.
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