Algumas pessoas não resistem a um espelho. Procuram seus reflexos nos vidros dos carros, das lojas, nos espelhos das paredes anônimas. Meu narcismo não é a minha imagem física retratada em um lugar qualquer, mas o dedilhar dos dedos no teclado ganhando o mundo.
Não gosto de barulho, gosto de poucas músicas, mas o som do teclado emitindo imagens tão simbólicas em uma tela em branco, preenchendo de sentido o que até então era vazio... não, não estou falando do papel.
O papel também tem muito significado, ele é a tela em branco de um pintor, o início. E o que é o início? É aquilo com o qual não existiria o todo. Somente o mundo não tem início, somente o mundo simplesmente existe, com Deus ou com Big Bang, quem sabe? Ele só existe e está bem assim.
Depois da tela em branco, o pintor precisa dos pincéis, o pincel certo... o escritor precisa do teclado ou da caneta, o teclado ou caneta certa.
Estou aqui, diante do meu espelho, o papel.
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