segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A amante


Arnold Böcklin , Ulisses e Calypso , 1883 , Kunstmuseum Basel

Eu a amei como quem ama um amante. 
Não que a tenha amado.
Era um desses amores inventados.
Desses que às vezes a gente pergunta se até na nossa cabeça existem.
Desses que quando vem a possibilidade de acontecer, viram névoa e romance que foi lido em dias de chuva. 
Eu a amei com raiva e admiração. 
Eu a amei como quem não ama. 
Eu tentei a todo custo tirá-la de dentro de mim.
E agora que está tão perto, procuro-a aqui e já não há nada além do coração bagunçado que ela deixou ao partir.

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