Ele era bonito, inteligente, forte, determinado, carinhoso, charmoso e simplesmente encantador.
A única coisa que ele não era: real.
Eu o inventei. Atribuí a ele uma face real e características falsas.
Ele até era real, na minha mente, no meu mundo, na minha pele, no meu peito. Em mim.
O príncipe encantado. Encantado sim, porque eu o encantei com todas as minhas ilusões, com todos os meus desejos, meus sonhos e medos.
Dei a ele o poder de me arrepiar ao tocar na minha pele, dei a ele o poder de me fazer sorrir, de controlar minhas opiniões e de me calar.
Agora, vejo-o sem o véu do encanto que lhe pus. Vejo suas fraquezas, seus medos, vejo-o correr assustado de situações que até mesmo mais covarde dos homens poderia enfrentar. Vejo-o mentiroso e negligente. Sem ambição alguma, ou pelo menos não uma que valha a pena. Virou sapo.
Virou sapo? Talvez sempre tenha sido.
Talvez todos sejamos assim, quimeras...
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