Um mês dobrando esquinas e percorrendo ruas sem tempo para olhar no relógio, beber uma água ou pegar uma caneta. Um mês sem parar no espelho para se reconhecer.
Mas enquanto não se reconhece, se constrói.
Fica construindo com areia um castelinho para morar e esperando com sorrisos que o mar não destrua sua arte.
Além disso, foram tantas mudanças que nem mesmo o espelho sabe que imagem mostrar, fica em dúvida se coloca nos cabelos cachos ou longas madeixas lisas. O espelho questiona também essa nova expressão que vem acompanhada de uma sobrancelha bem feita.
Acontece que ele já estava acostumado com aquelas nevoas, com aquelas cores e ele também estranha a mudança.
Talvez então seja melhor mesmo estar correndo do que se reconhecendo, pois se nem este espelho companheiro lhe reconhece, reconheceria ela a si mesma?
Olha para o relógio... é hora de começar a correr de novo, de fazer lista de pendências e no final do dia deitar no sofá exausta enquanto finge assistir uma novela. Adia um pouco mais a correria e passa os dedos sobre as palavras para que lhe digam o que lhe falta no tempo...
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