quinta-feira, 11 de abril de 2013

Entre dois gênios

O Prólogo do Conde de Monte Cristo o compara com o Crime e Castigo e fiquei, página após página, buscando algo que ao menos lembrasse um livro no outro.
Eis que no final essa semelhança surge gritante, forte e vencedora. Edmond Dantés e Raskólnikov consideraram-se superiores aos demais e ambos reconheceram-se humanos, por fim. Viram suas fraquezas e condenaram-se ao sofrimento.
Ambos encontram uma salvação no amor e apoiam-se em Deus para justificar sua fé no perdão. Edmond, ao contrário de Rodka, sempre acreditou em Deus, chegando a usá-lo para justificar algumas de suas ações.
Rodka diferentemente só se entrega a fé quando não mais suporta o peso de seu crime. A fé torna-se o estranho que no meio do caminho vem ajudá-lo a carregar sua cruz.
Um movido pela vingança e outro pela ambição, mas ambos entregues a fé em si mesmo.
Porém, apesar desse fim convergente, ouso dizer que os livros pouco tem em comum. A escrita, a colocação, os personagens e a forma que as ideologias invadem as mentes.
O Crime e Castigo consagra-se como uma obra mais densa, mais difícil de ler, mais instigadora, mais assustadora até, porém confesso que me tocou mais profundamente.
O Conde de Monte Cristo impera como o próprio conde, com altivez, tem uma postura completamente diferente do outro. Eu não o li, eu o devorei. Não conseguia ler cinquenta páginas em um dia, precisava ler cem, cento e cinquenta, duzentas que fosse. Era água a um sedento, era comida a um faminto, era liberdade a uma mente bagunçada.
O clima dos livros são diferentes e não creio que os leria sob o mesmo olhar e humor. O Crime e Castigo me pedia mais concentração, serenidade e temor. O Conde de Monte Cristo era meu presente aguardado, esperado, era uma diversão sincera, meu tesouro particular.
Infelizmente, creio não ter conseguido realmente exprimir a diferença que os senti ao ler, mas senti e, no fim, é o que importa.
Senti a religiosidade de Dumas e crítica discreta de Dostoiévski.
Senti tantas emoções que quase chorei...

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