Ela era o retrato perfeito da pessoa que jamais serei. Às vezes, parecia que até os seus defeitos eram harmonicamente encaixados nas suas qualidades para que ela se tornasse aquilo.
Ela seguia humana, falhando e conquistando para me convencer que era humana e ainda assim estava ali, a minha frente, sem o menor esforço e eu, na minha insignificância, duvidava da sua humanidade.
O mundo parecia girar ao seu redor quando ela estava presente. Não havia voz mais alta que a sua, ou beleza que a destronasse, mesmo que assim fosse. A postura era sempre ereta, a voz altiva e os olhos vivos.
Ela parecia a outra versão das minhas escolhas, se eu tivesse seguido este outro caminho, talvez fosse ela, porque enfim, não seria eu. Talvez pudesse sorrir com perfeição e continuar sendo normal, talvez pudesse acertar tanto e não ser estranho ao mundo, talvez pudesse viver sem esse peso inominável que carrego.
Nas minhas mãos, porém, a punho fechado, carrego um trunfo, algo que lhe roubei sem nunca ter lhe pertencido, algo que é meu por direito natural e que me trás consolo quando meu inimigo sou eu.
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