segunda-feira, 7 de março de 2011

Madrugadas

Eu tinha um mundo de palavras morando dentro de mim.
Era um furacão devastando todos os meus pensamentos e devorando qualquer sentimento de nostalgia, alegria ou felicidade, relacionado a um determinado episódio, pessoa, situação.
De repente, hoje, tudo se organizou. Do nada. As palavras se encaixaram e não eram mais de mágoa e decepção.
Senti vontade de ligar no meio da madrugada para pedir desculpas, mas lembrei que foram atitudes assim que iniciaram todo o problema.
Pensei em escrever-lhe uma carta, mas registros não são saudáveis.
Então me ocorreu o óbvio, o tempo de desculpas, de palavras, de abraços, de verdades, de mentiras, havia passado.
Era hora de simplesmente lembrar o que se passou e esquecer em seguida, como fazemos quando falamos do nosso primeiro namorado, do prêmio que ganhamos, do primeiro término, da primeira briga, do primeiro beijo.
O único problema é que não sou assim. Sou do tipo que pede desculpas quando quer, que diz que gosta quando gosta, mesmo sabendo que a pessoa vai dobrar a esquina e sair correndo de medo de ouvir essa verdade. É que tenho um pacto mais forte com meu coração que com meu juízo. Simples assim.
Aí fiquei me imaginando falando tudo o que tenho vontade, as coisas que não te disse quando você me puxou pela cintura pra conversar e eu cruelmente te repudiei o gesto e fui dura com as palavras.
E vi que ficaria calado, como ficou naquele dia e tantos outros antes.
Então lembrei que você não era homem suficiente pra ouvir minhas desculpas e fiquei em dúvida se eu sou mulher suficiente para... (dá-las ou não as dar, qual o correto?)

5 comentários:

Torna-te quem tu és disse...

Intenso. Sofri do início ao fim, me identifiquei com o contexto do início ao fim. Parabéns pelo blog! Dá uma olhada nas minhas histórias... tornaquemtues.blogspot.com Abraço, Claudia

Gisa Carvalho disse...

" Sou do tipo que pede desculpas quando quer, que diz que gosta quando gosta, mesmo sabendo que a pessoa vai dobrar a esquina e sair correndo de medo de ouvir essa verdade. É que tenho um pacto mais forte com meu coração que com meu juízo."

É muito bom viver assim...

Zé Soares Neto disse...

de quando é esse texto?! Muito bom te ver naquele aterrinho... leve... flutuante!

Unknown disse...

Passando pra dizer que adorei o blog e que estou seguindo.
Também tento ensaiar algumas palavras, se quiser olhar depois: http://pontadeimpacto.blogspot.com/
Um beijo

Hilário Ferreira disse...

" É que tenho um pacto mais forte com meu coração que com meu juízo" essa frase reverbera depois que acaba o texto e traz a pergunta 'O coração não poder ser um bom juiz?'. Sentir é tão mais denso que pensar, tão mais contundente, mais profundo, mais profano, mais vivo, mais humano, tão mais visceral...
E concordo que o problema não é quem faz o telefonema de madrugada, mas sim quem (não) o recebe.