quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A Folga do Cinismo

Por vezes o olho e não vejo quase beleza. É tão simples para meu olhar cínico medir-lhe defeitos e qualidades físicas. Ao contrário, porém, das mulheres exibidas que passam na rua, sua beleza é mutante. Um piscar de olhos e a barba rala que antes me arrancou caretas, agora me desenha no rosto um discreto sorriso e tenho vontade de beijar-lhe o queixo. É seu charme.

Vontade de murmurar baixinho em seu ouvido, posso te fazer meu chaveiro para te apertar quando eu quiser?

E ele, como quem escuta meus murmúrios secretos, vira-se de costas adormecido. E quando me dói esse inconsciente movimento de rejeição, sua mão busca-me com um tatear inseguro. Ele quer meu calor. Minhas mãos anormalmente quentes em suas costas geladas, sou seu cobertor mais eficiente e seu sorriso mais arriscado, pois no momento seguinte posso estar a zangá-lo e acusá-lo de ser o autor de todos os meus medos.



Naquele momento, no entanto, tudo o que me pede é um abraço silencioso, e eu cedo, pois meu coração, hoje, tem abrigo.
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Um comentário:

André Neves disse...

Marcella, só agora pude responder alguns comentários. Tento compensar minha ausência. obrigado por suas sensíveis palavras. Abraços