Há tanta coisa que eu gostaria de dizer-lhe. Como tua raiva me parece insólita e mal direcionada.
Durante dois anos segui um código de respeito que vi outra pessoa trair. Hoje, pela quebra desse código, vejo a outra pessoa ser perdoada e divinificada com a única intenção de me humilhar.
Como jogas esses fatos tortos em minha face, tenho vontade de jogar-lhe minha verdade. A forma como tudo aconteceu ao meu ver.
Tua raiva é uma válvula de escape para justificar o teu perdão. Eu sou o laranja de uma relação que desconheço e que me parece tão fantasiosa.
A perfeição é cantarolada como se fosse real e os pecados são jogados pra debaixo do tapete como se não tivessem volume. Quando fogem rapidamente para o centro da sala, parece um terremoto, mas no fim, tudo está de pé.
Talvez seja uma estrutura frágil, que está sendo cada vez mais forçada para partir repentinamente amanhã. Talvez, cada terremoto crie uma ruptura gigantesca na casca e fortaleça, ainda que contraditoriamente, o centro da estrutura. Mas eu nada tenho a ver com isso.
Eu nem mesmo olho para a estrutura, ela que me amarra e puxa, ela que grita nesse céu lilás.
2 comentários:
Lindo o texto!
;D
Diego Facó.
Cara, esse texto me fez lembrar. Quando a gente pensa que, deixando de lado, faz melhorar e esquecer, na verdade, não. Só esperando para dar o retorno. Quieto, curtindo, fermentando, tomando força, esperando o momento exato de fraqueza para, como dizendo no subtítulo do blog, uma alma inquieta libertar um furacão.
Então é melhor resolver logo tudo, porque nem sempre há volta.
Ou a volta é desastrosa, e não se permanece muito tempo de pé.
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