sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Inveja

Vaidade: Inveja! Juntas, fazemos com que os seres humanos estejam em uma eterna competição, esquecendo de quem eles são e do que eles realmente são capazes. Confundindo desejos e necessidades.

Inveja: Falou tão bonito, Vaidade! Está ficando melhor a cada dia, como você faz mesmo?

Vaidade: O que posso fazer? Nasci assim. Fui criada assim. Talentosa, linda.

Inveja: claro (Expressava um claro e evidente sorriso malicioso que a Vaidade só não percebeu por seu intrínseco egocentrismo) Acho que a Ira estava falando mal de você, não prestei muita atenção, sabe que não gosto dessas coisas.

Vaidade: Falando mal de mim?! Como se atreve a Ira? Vou lá.

Inveja: (somente depois que a Vaidade sumiu) Ira, Gula, Avareza, Vaidade. Faltam três pecados. Como estão indo? Cobiçando as pessoas que não tem essa triste obrigação de ouvir por horas seu pior lado? Descobrir que o mundo está perdido. Que o pecado se alastrou, que cada pessoa, que cada sorriso é somente um traço bonito e visível daquele que esconde dentro de si o que a igreja pregou por anos ser feiúra. Vocês queriam ser diferentes? Não serem excluídos por grupo nenhum? Amadeus, Amor...
Tudo o que você queria quando era criança era que sua mãe te amasse como amava seu irmão. Tudo o que você quis, há tão pouco tempo, era a namorada do seu melhor amigo.

Beata: Você desejou a namorada do seu melhor amigo?

Inveja: desejou, sondou, analisou. Como ela era bela! Como ela tratava-o bem! Como ela era simpática. Por que o sorriso dela não poderia estar ao seu lado? Você o invejou. Você o invejou quando ele foi o orador da turma, quando ele foi usado como exemplo pelo seu professor predileto. Você o invejou, quando seu pai o elogiou.

Pecador: Eu a amava. Está distorcendo as coisas.

Não tenho como aqui lhes explicar a voz daquela mulher. Era um sussurro sedutor que penetrava na alma como aquelas agulhas finas de injeção que quando fitamos, vemos nosso sangue subir, sair de nós. Era como a pior face da nossa consciência.

Inveja: (sondava o Pecador) Cobiça, não amor. Você a teve, Amadeus. Quanto tempo durou? Quanto tempo continuou a querê-la depois de tê-la? A felicidade do seu amigo era frágil e falsa, porque a invejar? Foi isso que você descobriu nos braços dela, foi por isso, e não por ele, que você deixou de ir atrás dela. (Agora era incisiva).

Pecador: Não conhece nada de mim, está mentindo!

Inveja: Estou mentindo? Pecador... Olha para essa moça. Ela consegue dormir sem ter peso na consciência pelas besteiras que fez o dia inteiro. Você tem inveja disso. Ela nunca tirou a roupa para própria avó, porque estava bêbada. Ela nunca perdeu a amizade do melhor amigo porque não conseguia controlar os instintos. Ela nunca viu a mãe chorar por crueldades ditas por ela. Ela nunca roubou, nunca usou drogas, nunca socou o melhor amigo. Ela não. Você gostaria desse não.

Pecador: Eu não fiz por mal!

Inveja: Sei que não fez, mas olha (começou a sondar a beata). Madalena, a beata, tem inveja de você (a Inveja riu). Esta moça não tem amigos, por isso nunca brigou com um. Esta moça nunca foi alvo de aplausos. Esta moça nunca teve um bom motivo para ser conhecida. Esta moça foi marginalizada e explorada. Tudo o que ela quis foi sorrir como você, ter a sua popularidade, ter o seu sucesso com o sexo oposto. Ela quis ser a queridinha dos lugares, dos grupos, dos meninos. Você, minha querida, já invejou a liberdade de uns, a falta de timidez de outros, a beleza de muitas, o namorado de algumas, o talento de tantos. E ainda se diz serva de Deus.

Beata: Mentira! Cale a boca! Por que faz isso? (chorava)

Inveja: Percebem o meu poder? Quem já invejou algo ou alguém? Vocês são capazes de me dizer? (Dizia olhando para os dois) E vocês? Quem já provou o sabor da inveja? (dizia olhando para a platéia) Todos, eu aposto. Aposto minha vida que todos. O que é inveja? Pergunte ao que disse que nunca sentiu e ele descreverá como um amante, o que ele diz não conhecer. Eu estou por todos os lugares, sorrateira e precisa.

O Tempo bateu seu cajado e eu senti-me como salvo. Sentia como a qualquer momento ela poderia ler meus pensamentos, meus sentimentos e jogar na minha cara tudo aquilo que me parecia tão passível de esquecimento.

4 comentários:

CA Ribeiro Neto disse...

Marcella

Temos mais dois novos integrantes do Blogs de Quinta. São esses:

Marília Maia - http://ninhomaia.blogspot.com/
Fabio Paulino - http://minhacoreblues.blogspot.com


Adcionem e dêem as boas-vindas!

E eu aproveito para pedir (acho que de novo hehehe) que mude o link do meu para CA Ribeiro Neto, tirando aquele Carlinhos Guto! beijos

Freddy Costa disse...

Está ficando quente!! \o/

CA Ribeiro Neto disse...

Pra mim, a inveja e a gula são as que tem menos chance. Sei lá, sem desmerecer o trabalho delas, mas acho que as outras foram mais destruidoras...

Tá bom mesmo...

Thiago César disse...

ei, tirar a roupa pra própria avó eh putaria.... se fosse pra irmã eu até engolia... uhahua!